Resende não quer limite para estrangeiros
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quinta-feira, 30 de abril de 1998
Agência Folha 
Dida Sampaio/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)PosseBarros cumprimenta Lara Resende, observados por Paulo PaivaA participação ilimitada do capital estrangeiro na compra da Telebrás e o pagamento pelo controle da empresa em parcelas foram defendidos ontem pelo novo ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e pelo novo presidente do BNDES, André Lara Resende. Lara Resende disse que, em tese, é melhor não haver restrições ao capital estrangeiro na privatização da Telebrás. Para maximizar o valor (da estatal), o melhor é que não houvesse restrição.
Mas o novo presidente do BNDES disse que é preciso fazer algumas ressalvas. Ele apontou que o controle acionário dos consórcios que participaram da disputa pela banda B da telefonia celular pertença, obrigatoriamente, a empresas nacionais. As restrições já adotadas na banda B devem ser levadas em consideração, afirmou Lara Resende.
Mendonça de Barros não quis adiantar sua opinião sobre a participação de capital estrangeiro, apesar de, como presidente do BNDES, já haver defendido uma posição semelhante à de Lara Resende. Quando a gente vira ministro, é preciso tomar mais cuidado com o que diz, afirmou Mendonça de Barros, que assumiu o cargo ontem.
Minha opinião não importa. Vai importar a opinião do presidente da República, completou o ministro. A decisão final será tomada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, por meio de decreto presidencial. O controle acionário da Telebrás está avaliado em cerca de R$ 21 bilhões.
Mendonça de Barros disse defender um modelo de pagamento semelhante ao adotado durante a venda das concessões da banda B. Por esse modelo, os consórcios vencedores tiveram que pagar 40% do valor da outorga no ato de assinatura do contrato. Os 60% restantes foram divididos em três parcelas anuais de 20%, com correção pelo IGP-DI. Isso (o pagamento parcelado) é uma coisa que temos que discutir com o Tesouro, o que deve acontecer na semana que vem. Nossa proposta é fazer algo semelhante à banda B, afirmou o ministro.
Mendonça de Barros informou que o governo realizará duas reuniões com os acionistas minoritários da Telebrás para dar explicações sobre o processo de privatização.


