Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) anunciou ontem que entrou com uma representação na Procuradoria Geral da República contra o ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, porque o ministro defende os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). Requião acusa o ministro de improbidade administrativa, segundo o Palácio Iguaçu.
Requião, que já havia chamado Rodrigues de ''ministro da Monsanto'' quando sancionou, em outubro, a lei que proibia transgênicos no Estado, anunciou sua medida contra o ministro durante a solenidade de assinatura do convênio para o plano diretor com os municípios. A lei estadual foi derrubada pelo STF no último dia 10.
Na solenidade, Requião disse que o Estado impetrou um mandado de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ), na tentativa de obter a lista dos 225 agricultores que ''supostamente'', segundo o governador, estariam plantando transgênicos. O Ministério não forneceu a lista, e por isso o governo recorreu à Justiça. Requião disse que a soja seria apenas não certificada, e não necessariamente transgênica.
O governador disse que a soja transgênica é uma ''canalhice'', porque os agricultores ficam obrigados a pagar royalties para a Monsanto, multinacional norte-americana que domina a tecnologia dos organismos geneticamente modificados. Ele reafirmou que o Porto de Paranaguá não vai exportar transgênicos porque isso seria ruim para o Paraná. O governador disse que a soja convencional tem produtividade cerca de 30% maior que a transgênica.
O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, lamentou a sanção da lei sobre os transgênicos. Ele afirmou:''Neste momento, temos uma posição diferente (do governo federal). Sempre fomos contrários aos transgênicos, não podemos ser favoráveis agora a essa lei. E e lamentável que ao sancionar a lei o presidente Lula tenha vetado o dispositivo que responsabilizava as empresas por possíveis danos ao meio ambiente e à saúde humana.''

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