As camadas mais pobres da população que consomem até 100 quilowatts de energia por mês não vão mais pagar conta de luz no Paraná. O anúncio da ''tarifa social'' foi feito, ontem, pelo governador Roberto Requião diretamente de San Antonio, no Texas (Estados Unidos), quando deu uma entrevista a dois veículos de comunicação de Curitiba uma emissora de rádio e uma de televisão. A estimativa é que a isenção beneficie aproximadamente 700 mil consumidores.
Requião antecipou o anúncio sobre a implantação da tarifa social em represália à reação do mercado acionário, que, na última quinta-feira, derrubou o preço das ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Os papéis caíram 5,7% na Bolsa de Valores de São Paulo e 6,88% na Bolsa de Nova York, naquele dia, após o governador ter desautorizado o reajuste de 15,27% anunciado pela diretoria da Copel. Ontem, as ações tiveram nova queda no mercado. As ações PN caíram 3,72% e a ON tiveram queda de 4,44%.
Requião disse que a Copel não é um cassino para ficar sob a ação de especuladores do mercado. A crítica também foi direcionada à grande imprensa paulista que chamou a ''ingerência'' política do governador na Copel de ''Risco-Requião''. ''Por quem eles pensam que eu fui eleito, pelo povo do Paraná ou pelos gananciosos do mercado?'', perguntou. O governador lembrou que a companhia foi construída com dinheiro da população paranaense e ''não com recursos de meia dúzia de sócios privados''. Além disso, a empresa está com uma excelente saúde financeira, registrou lucro no primeiro semestre de R$ 266,1 milhões e não precisa reajustar as contas de luz, por enquanto.
''Para o Paraná, custa mais caro uma casa pobre sem energia elétrica, sem um banho quente no inverno, causando doenças e gerando uma despesa extraordinária no posto de saúde, no hospital ou em internamento, do que abrir mão desta pequenina conta de energia elétrica'', disse o governador. Ainda não foi fixado prazo para o lançamento do programa.
O governador admitiu que a empresa terá que dar um reajuste na conta de luz, principalmente quando for comprar ''o abacaxi'' da El Paso na Usina Termelétrica de Araucária, UEG Araucária. A Copel é sócia da El Paso nesse empreendimento e segundo Requião, o contrato feito na gestão anterior da Copel foi lesivo à empresa. A empresa financiou a construção da usina, mesmo sendo sócia-minoritária. ''Mas quando isso for preciso, a população será esclarecida'', afirmou.
Para Requião, os acionistas deveriam se preocupar é com os contratos lesivos aos cofres da Copel feito pela diretoria passada. Entre eles o contrato com a Companhia de Interconexão Energética (Cien), que só este ano iria consumir R$ 750 milhões da companhia. Com a renegociação comandada por ele, a Copel vai pagar apenas R$ 312 milhões. Também suspendeu o reajuste autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para evitar o aumento da inadimplência que já beira os R$ 180 milhões no Paraná. Segundo ele, consumidores e pequenos empresários não estão mais conseguindo pagar as contas de luz.

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