Curitiba - O governo do Paraná pode rescindir mais um contrato de concessão realizado pela administração anterior no Estado. O governador Roberto Requião (PMDB) determinou que a Ferroeste S.A., empresa controlada pelo Estado, inicie processo administrativo com vistas a retomar o trecho de 248 quilômetros entre Cascavel e Guarapuava, cuja operacionalização foi entregue em 1996 à Ferrovia Paraná S/A (Ferropar). A empresa deveria ter pago ontem R$ 3,2 milhões, primeira parcela do contrato de concessão, mas depositou apenas R$ 553 mil. O governo vai alegar caducidade do contrato por inadimplência financeira.
O presidente da Ferropar, Aníbal Batista Falcão, não foi encontrado ontem. A um jornal de Curitiba, ele havia declarado que não seria possível pagar o valor total ''sem prejuízo do serviço de transporte''. Falcão disse que tem procurado o governo para ''restabelecer o equilíbrio do contrato'', visto que as projeções não se teriam confirmado.
Segundo Falcão, a Ferropar (consórcio formado pela Gemon Geral de Engenharia e Montagens, FAO Empreendimentos e Participações Ltda., Pound S/A e América Latina Logística) tem faturamento líquido de R$ 18 milhões por ano. O grupo venceu o leilão realizado em 96, como único interessado em operar o trecho, oferecendo R$ 25,6 milhões (preço mínimo), em contrato de 30 anos. À vista, foi pago R$ 1,2 milhão. O restante seria pago em 108 parcelas trimestrais, com a primeira vencendo em 15 de janeiro de 2000. No entanto, em março de 2000, a Ferropar teria avisado que não poderia honrar o compromisso e recebeu um diferimento de 74% em todas as parcelas que venceriam entre 2000 e 2003.
Em contrapartida, o consórcio teria se comprometido a investir na aquisição de locomotivas e vagões e cumprir metas mínimas de transporte de cargas. Mas, segundo a Ferroeste, isso nunca chegou a ser cumprido. O diretor-administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes, disse que o processo administrativo está previsto no contrato.

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