Requião parte para o ataque e acusa multinacionais
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''Meu governo não se dobra diante de patifaria e cachorrada'', afirmou ontem o governador Roberto Requião (PMDB), durante a reunião semanal do secretariado, sobre a greve dos operadores portuários no Porto de Paranaguá. O governador garantiu que a greve está acontecendo com o único intuito de derrubar a atual diretoria do porto, que acabou com a corrupção quando assumiu. ''Alguns grupos estão fazendo pressão porque o Eduardo (Requião) acabou com a bandalheira no porto. Não há divergência técnica nenhuma, como eles estão afirmando. Eles querem mesmo a demissão da diretoria para voltar com a corrupção e beneficiar meia dúzia de multinacionais. Não vamos aceitar a pressão.''
Requião afirmou que os operadores vão ter que pagar o prejuízo dos caminhoneiros, que estão parados na estrada esperando para descarregar soja e milho no porto. Esse valor pode chegar a R$ 120 por dia para os cerca de quatro mil caminhoneiros. ''Eles são os piratas do porto e vão ter que arcar com o prejuízo todo. Os caminhoneiros não vão descarregar sem receber. Eles vão morrer do próprio veneno'', afirmou.
Para o governador, o prejuízo de US$ 75 milhões (US$ 15 milhões por cada dia de paralisação), recai sobre os operadores portuários e exportadores que deixaram de movimentar as mercadorias. ''O governo do Estado não perdeu nada'', afirmou. Além disso, Requião disse que esses prejuízos podem ser recuperados porque houve apenas um retardamento nos embarques. ''Eles querem, na verdade, forçar a privatização do porto e isso nunca vai acontecer.'' Requião anunciou a licitação para a ampliação do cais oeste do porto, que deve custar R$ 140 milhões.
O governador afirmou que pessoas que não têm nada a ver com a questão do porto estão incitando a greve e as mobilizações em Paranaguá. Requião atacou também o prefeito do município, Mario Roque (sem partido), e o deputado estadual Valdir Leite (PPS), que protocolou na última sexta-feira um pedido para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o porto. ''Essa história vai acabar com o prefeito Mario Roque na cadeia.''


