O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), voltou hoje a negar a existência de focos de aftosa no Paraná. ''O Paraná não tem aftosa. A doença está na cabeça do Ministério da Agricultura'', disse. ''Vez por outra converso com o Lula, mas a impermeabilidade (por parte do governo federal) às razões do Paraná, não só neste caso, é absoluta'', disse o governador.
''Nós (Paraná) recebemos 229 animais de Mato Grosso do Sul. E São Paulo, com uma divisa maior com aquele Estado, deve ter recebido pelo menos dez vezes mais animais. Mas não vi nenhuma pesquisa sobre aftosa em São Paulo ou alguma
declaração de zona potencial de aftosa'', disse.
A polêmica sobre a existência de aftosa no Paraná se arrasta desde outubro do ano passado, quando 229 animais oriundos de Eldorado (MS) foram leiloados em Londrina. Naquela mesma época, o Ministério da Agricultura havia notificado focos de aftosa na cidade sul-mato-grossense.
O governo do Paraná tem mantido uma posição dúbia sobre a existência de focos de aftosa no Estado. Ao mesmo tempo em que oficialmente nega a doença e trava uma batalha técnica com o Ministério da Agricultura, força, informalmente, o abate dos animais. A pressa em sacrificar os animais se dá por pressão do setor exportador, interessado em recolocar o Paraná no mercado internacional.
Mas a pressa esbarra na resistência dos produtores. André Muller Carioba, proprietário da fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (PR), conseguiu na Justiça Federal a confirmação de que o sacrifício de 1.795 animais seus só poderá ocorrer após ele ter uma indenização - antecipada - de R$ 1,28 milhão.
Amanhã, se reúnem em Maringá proprietários de seis outras fazendas com focos de aftosa anunciados pelo ministério. Não está descartada a possibilidade de buscarem a via jurídica contra o abate.
Rapidez - Ontem de manhã, o vice-governador e secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, informou que o governo irá contestar na Justiça a decisão do Ministério. A intenção, segundo Pesutti, é atender o pedido do setor produtivo e da indústria agropecuária, que querem
rapidez do governo para solucionar o caso.

mockup