A abertura oficial da 44 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, na manhã de ontem, foi o cenário ideal para o governador Roberto Requião (PMDB) lançar dois novos projetos. Rodeado por representantes das classes rural, política, judiciária e até religiosa, ele ''previu'' o desenvolvimento do agronegócio paranaense com a operacionalização do Fundo de Aval e da Irrigação na Madrugada.
De acordo com o vice-governador e secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná Orlando Pessuti, o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) vai disponibilizar R$ 2 milhões como garantia de empréstimo para famílias de pequenos produtores rurais. ''O objetivo do fundo é justamente avalizar aqueles agricultores que ano após ano passavam por dificuldades cada vez que precisavam de um empréstimo bancário. Considerando que a inadimplência deste grupo não passa de 3%, os R$ 2 milhões poderão alavancar empréstimos 30 vezes maiores'', disse Pessuti. No momento, o projeto está na Assembléia Legislativa e, a princípio, será sancionado em maio pelo governador.
Outra novidade anunciada por Requião é o desconto superior a 70% no custo da energia elétrica utilizada pela zona rural entre às 20h30 e 6h30. Segundo o governador, a irrigação é o caminho para a geração de alimentos no planeta e o Paraná será o primeiro a bancar a idéia. ''É um benefício que valerá do pequeno ao grande produtor rural e, por isso, quero a Copel trabalhando pesado no projeto'', avisou o governador.
O tema da exposição: ''Brasil, líder mundial na produção de alimentos seguros'' serviu como base para mais um round na polêmica da soja transgênica. Na opinião de Requião, transgênico não é seguro e Londrina está antenada à tendência mundial. Durante seu discurso, ele lembrou da época em que era senador e denunciou a pressão de multinacionais que favorecem a expansão dos transgênicos. ''A União Européia, China, Índia e Coréia são exemplos de mercados que recusam este tipo de produto e os Estados Unidos são os principais interessados na difusão dessa tecnologia. O Brasil não pode ceder a estes apelos econômicos. Caso contrário, daqui a seis anos os livros trarão informações sobre o fim do ciclo da soja convencional no País'', concluiu Requião.

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