Curitiba - Ao votar ontem no referendo, no Colégio Estadual Júlia Wanderley, no bairro Batel, o governador Roberto Requião (PMDB) culpou o governo federal pelo avanço dos focos de febre aftosa agora a suspeita é no Paraná , dizendo que a União deveria ter encarado a questão com mais seriedade.
Requião disse que, desde o início de seu governo, em janeiro de 2003, investiu pesado no trabalho de prevenção e sanidade do rebanho paranaense, atualmente com cerca de dez milhões de cabeças de gado bovino. ''Compramos 100 veículos, contratamos técnicos. Mas nada disso adiantou porque o governo federal não fez a sua parte'', culpou o governador.
Apenas quatro dias depois de anunciar que cederia ao Mato Grosso do Sul R$ 1,5 milhão para o combate à aftosa naquele estado, onde foram registrados os primeiros focos da doença, Requião foi surpreendido com a suspeita da ocorrência de aftosa no rebanho estadual. O dinheiro, da União, caberia ao Paraná para aplicação em sanidade animal.
Na sexta-feira, uma reunião a portas fechadas entre a cúpula da Secertaria da Agricultura, Ministério da Agricultura no Estado e representantes de entidades da agropecuária culminou com o anúncio da suspeita em quatro municípios (Loanda, Amaporã, Maringá, e Grandes Rios).
Falta a confirmação através dps exames sorológicos, o que deve ocorrer amanhã ou terça-feira, mas os sintomas da aftosa são claros, como a falta de apetite, aumento de temperatura e aparecimento de aftas na boca e língua dos animais.
O rebanho paranaense não apresentou a doença por dez anos. Em maio de 2000, o trabalho e os investimentos em sanidade animal foram coroados pela certificação do Estado como área livre de aftosa com vacinação. O reconhecimento foi da Organização Internacional de Epizootias (OIE), sediada em Paris, França. ''O trabalho de dez anos foi jogado fora'', lamentou Requião.
Na opinião do governador, o dinheiro que a União destinaria ao Paraná para sanidade animal (R$ 1,5 milhão), seria uma ajuda financeira ridícula em relação aos investimentos que o Estado precisará fazer para conter o avanço da doença.
Sobre o referendo, Requião disse que existem temas mais importantes para se fazer consulta popular do que o desarmamento. O governador defende o direito de o cidadão ter armas para sua defesa.

mockup