Curitiba - Apesar de o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), não ter pressa em votar o projeto que proíbe o plantio e a comercialização de transgênicos do Paraná ele prefere esperar uma legislação federal , o Palácio Iguaçu não vai abrir mão da proibição. O governador Roberto Requião (PMDB), que reassumiu o governo ontem depois de viagem à Europa, avisou que está esperando a aprovação da lei. ''A não ser que tenhamos uma Assembléia irracional, que vai fazer o jogo na Monsanto (multinacional que detém o mercado de transgênicos).''
Sobre as resistências à aprovação do projeto, Requião disse que o motivo pode estar na ''falta de informação''. O governador frisou que sua posição não é contra os transgênicos em si ou às pesquisas nessa área. ''Estou encarando pelo lado pragmático, comercial'', justificou. O governo do Paraná negocia um contrato para vender soja não transgênica à China, por dez anos. A China não quer comprar produtos geneticamente modificados. Ao proibir os transgênicos, o governo quer evitar a perda de mercado. A Europa também quer os não transgênicos. O Paraná produziu, no ano passado, cerca de 11 milhões de toneladas de soja.
Enquanto o governo federal está às voltas com a medida provisória que libera os transgênicos, Requião quer manter o Paraná em posição de competitividade, com a vantagem de não produzir os grãos modificados geneticamente. ''Nossa soja tem aceitação universal'', frisou Requião.
O vice-governador e secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessuti, disse que vai discutir as emendas propostas ao projeto, que voltou anteontem à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). ''Nossa expectativa é que ele seja aprovado'', afirmou. Entre as alterações propostas ao texto original, uma emenda fixa prazo para que a proibição no Estado tenha validade até 2005. Já o substitutivo visa instituir um programa de rastreabilidade e certificação dos produtos vegetais. O projeto original foi apresentado pela bancada petista.

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