Curitiba- O governador Roberto Requião (PMDB) se encontra hoje com a ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef, para discutir a proposta de um modelo energético nacional que foi apresentada ao País na semana passada. Requião quer negociar um modelo alternativo à proposta do governo federal que não penalize o Paraná. Não está descartada a possibilidade de se adotar formas de compensação para não prejudicar o Estado.
Ontem, o presidente da Eletrobrás, Luiz Pingueli Rosa, e o diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, foram recebidos por Requião, no Palácio Iguaçu, onde o modelo energético nacional foi discutido. O governador encontrou em Samek um aliado do PT, partido do presidente, que pode ajudar o governador na negociação junto com o Ministério das Minas e Energia. De acordo com Samek é preciso compatibilizar os interesses do Paraná com os interesses do modelo energético nacional.
O Brasil está definindo um modelo energético para sustentar o crescimento econômico. De acordo com o modelo, todas as geradoras devem colocar suas energias à diposição do pool, que vai definir o valor da tarifa da energia elétrica no País. Ela será uma média entre entre o preço da energia velha gerada pelas hidrelétricas construídas há anos, que é mais barata, e o da energia nova, mais cara. O Paraná é abundante em energia velha, mais barata, porque investiu no setor ao longo dos anos.
Além disso, Requião apresentou outra justificativa para a não inclusão de toda a energia gerada no Paraná no pool. ''O Estado acabaria absorvendo maus contratos assinados pelo governo anterior, principalmente da Petrobras com termelétricas e da Eletrobrás com usinas obsoletas e desnecessárias'', responsáveis pela geração de energia mais cara, disse o governador.
Com isso, o Paraná perde a condição de destinar essa energia mais barata para atrair investimentos de indústrias que se instalarem em regiões com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo, como quer o governador, disse o diretor de Itaipu. O governador vai defender em Brasília a proposta de colocar no pool apenas a energia superavitária do Estado, que hoje é de 1,4 milhão de quilowatts, acrescentou.
De acordo com Samek, somente os estados do Paraná e Minas Gerais são superavitários em energia porque fizeram investimentos no setor ao longo dos anos e não privatizaram suas estatais de energia. Para o diretor de Itaipu, não é justo que agora todo esse esforço desses estados seja colocado para sustentar o crescimento brasileiro, sem que tenham recompensas.
Por outro lado, o diretor da Itaipu Binacional disse que o Paraná não pode dispensar as energias novas geradas pela termelétrica de Araucária, pelas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), pelos modelos alternativos que é a transformação do bagaço de cana em energia, porque todas elas serão absorvidas quando o País entrar num ciclo de crescimento econômico.

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