Requião critica governo e rejeita recursos
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terça-feira, 18 de outubro de 2005
Maigue Gueths e Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) criticou o Governo Federal e em especial o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues, pelos baixos investimentos na área de sanidade animal. Na reunião do secretariado, ontem de manhã em Curitiba, Requião chamou de ''ninharia'' a verba de R$ 1,5 milhão, que a União repassaria ao Paraná para o combate à febre aftosa, e anunciou que repassaria o valor para o estado do Mato Grosso do Sul, onde estão os focos da doença.
''Não precisamos dessa ninharia, que pode fazer falta para a fiscalização no Mato Grosso do Sul. São recursos irrisórios, mas podem melhorar a verba ridícula passada também ao Mato Grosso do Sul. Somando uma verba ridícula com outra verba ridícula pode dar uma quantia significativa'', disse Requião, que também anunciou que o Paraná deve ''radicalizar na solidariedade'' ao Mato Grosso do Sul''. Para isso, colocou a estrutura da secretaria, inclusive equipamentos aéreos, à disposição daquele estado.
Na reunião, o governador reforçou as medidas já tomadas pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Para ele, o Estado deve radicalizar ainda mais na fiscalização para não permitir o ingresso de animais, produtos e subprodutos oriundos daquele estado. ''É evidente que teremos casos de caminhão com notas frias de outros estados. E não podemos correr o risco de uma reincidência da aftosa no Paraná'', disse.
Segundo o diretor-geral da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Newton Pohl Ribas, o Paraná está estruturado para atender as demandas da situação. A contratação de 100 técnicos, feita em regime temporário no ano passado, será prorrogada. O Estado também conta com recursos na ordem de R$ 20 milhões do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária (Fundepec), destinado a emergências sanitárias.
Repercussão - Os produtores rurais vinculados à Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) lamentam o repasse de R$ 1,5 milhão em verbas federais que o governador Roberto Requião pretende fazer para o Mato Grosso do Sul reforçar o combate ao surto de febre aftosa que está ocorrendo naquele Estado.
Em Querência do Norte, município distante 40 quilômetros da fronteira com o Mato Grosso do Sul, o sindicato rural enviou correspondência à Faep reclamando da falta de médico veterinário da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento no município. Os pecuaristas da região estão preocupados porque têm um rebanho de 98 mil cabeças e eles estão próximos à região do foco de febre aftosa. O veterinário que atende Querência também atende a outros dois municípios.
O assessor da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, disse que concorda com o governador quando ele diz que esse volume de recursos representa ''uma ninharia''. Mas esse dinheiro faz falta para a manutenção de pessoal e dos carros que precisam permanentemente percorrer as regiões de fronteiras, disse.
Sobre os recursos retidos no Fundepec (Fundo de Desenvolvimento da Pecuária), recolhidos pelo governo do Estado e repassados para administração da iniciativa privada, eles só podem ser utilizados em situações de emergência e pelos setores que apresentam o problema, disse Albuquerque.


