Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) fez duras críticas ontem a atuação do governo federal para o efetivo combate a propagação da febre aftosa no Brasil. No início dos focos no Mato Grosso do Sul eram apenas quatro regiões com problemas. Agora, já são 22. ''A situação no Mato Grosso do Sul ainda não está controlada. Os focos de aftosa estão cada vez maiores dentro do Mato Grosso do Sul. O Paraná faz divisa com o Mato Grosso do Sul e está há apenas 30 quilômetros dos principais focos. Ainda somos zona de risco'', ponderou o governador
Requião acusou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pelos prejuízos causados aos produtores paranaenses por conta das suspeitas de aftosa em quatro fazendas do Estado. Outras 19 estavam sob suspeição pela proximidade com os focos que estariam sendo identificados. Entretanto, as análises laboratoriais demoraram a ficar prontas. Durante todo este tempo, os produtores foram proibidos de abater e vender as carnes sob suspeição. Litros de leite foram jogados fora. ''Houve uma brutal falta de investimento do governo federal que não foi capaz ao menos de investir em um laboratório eficiente que pudesse nos dar respostas rápidas sobre a existência ou não de aftosa em nossos rebanhos'', disse ele.
Requião informou que voltará a pedir recursos financeiros para o governo federal. ''Vamos cobrar indenizações e investimentos. Nada se investe no Paraná. O fato de não termos aftosa foi quase um milagre. O próprio ministro Roberto Rodrigues dizia que era 90% de chances de estarmos com nossos rebanhos contaminados'', destacou. No entanto, o próprio ministro, já havia alertado nos últimos dias para a possibilidade de a doença não existir no Paraná. Ele, inclusive, mostrou preocupação com a possibilidade de os laudos serem negativos porque isso poderia gerar problemas de credibilidade ao Brasil.
Requião fez um apelo para que os produtores rurais continuem em estado de alerta e vacinem 100% dos rebanhos para que o Paraná não tenha nenhum registro de aftosa apesar da proximidade com o Mato Grosso do Sul.
Mesmo com os laudos oficiais afirmando que não existe aftosa no Paraná, a carne continua sendo interditada para exportação para os países da Comunidade Européia e outros cinco países. Missões políticas e empresariais deverão ser formadas para que essas barreiras econômicas agora sejam derrubadas. Desde o anúncio da primeira incidência de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, no dia 10 de outubro, 49 países impuseram restrições a produtos brasileiros.

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