Curitiba - Antes de finalizar a reunião do secretariado, ontem, no Museu Oscar Niemeyer, o governador do Estado, Roberto Requião, aproveitou para afirmar seu apoio ao presidente da Bolívia, Evo Morales, na luta pela nacionalização da exploração de petróleo e gás daquele país. ‘‘Eu levanto essa questão porque ouço a grande mídia dizer uma porção de disparates sobre o conflito contencioso entre Brasil e Bolívia’’, disse. ‘‘É um confronto da Bolívia com a empresa que detém mais de 70% das ações na bolsa, que não é exatamente o Brasil, mas uma empresa que o governo brasileiro tem o controle administrativo, porque detém um número razoável de ações ordinárias’’, afirmou o governador. Essa empresa é a Petrobras.
  Para ele, a postura do governo boliviano é a que deveria ser adotado pelo Brasil, que ‘‘leilou a propriedade do óleo e do gás extraído‘‘. ‘‘De qualquer forma, o grande comprador do gás boliviano é o Brasil, se não vender para nós, não tem para quem vender. Mas seria maravilhoso se a Petrobras fizesse na Bolívia o que nós gostaríamos que empresas estrangeiras estivessem fazendo aqui’’, criticou ele.
  ‘‘Deveriam operar a extração do gás e do petróleo dando titularidade absoluta a Bolívia, um povo de uma pobreza arrasadora e de um potencial de petróleo e gás fantásticos, sendo apropriados por multinacionais, de uma forma que não viabiliza nenhuma melhora no padrão de vida do povo’’, defendeu o governador.
  Requião aproveitou para criticar também a campanha de autosuficiência da Petrobras. ‘‘Em princípio parece maravilhoso. Mas não fica claro que a Petrobras vendeu na Bolsa de Nova York, na época do governo de Fernando Henrique Cardoso, 62% a 64% das suas ações preferenciais.
  A companhia ainda é mantida sob o controle do Estado brasileiro em função da maioria das ações ordinárias’’, situou ele. ‘‘Isso significa que quando se anuncia o lucro fantástico da Petrobras está se anunciando o lucro dos acionistas preferencias que adquiriam as ações da companhia’’, raciocinou Roberto Requião.
  Ele acrescentou que o contrato de exploração de petróleo e gás que o Brasil faz não conserva a propriedade dos combustíveis para o País. ‘‘Não são nossos mais. Se tivermos uma crise mundial, essas empresas mandam o petróleo para onde quiserem, porque elas são titulares da propriedade do óleo extraído. É simplesmente terrível‘‘, opinou ele.
  ‘‘Tenho certeza que a Petrobras se sairá bem numa parceria com o governo boliviano. O que eu quero para o Brasil, também quero para a Bolívia e para a América inteira. Desejo que a Bolívia vença essa parada da soberania de seu subsolo e que retire das mãos das multinacionais e da especulação das bolsas aquilo que pode viabilizar uma modificação profunda na vida de seu povo’’, concluiu.

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