Curitiba - O governador Roberto Requião admitiu ontem, pela primeira vez, que poderá concordar com o abate dos 2,2 mil bovinos da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 quilômetros ao Sul de Cornélio Procópio), onde foi confirmado o primeiro foco de febre aftosa no Paraná.
Apesar de negar que exista o foco, Requião aposta que esta seja uma medida eficaz para que o Estado fuja das sanções internacionais. ''O Paraná foi usado pelo governo federal para resolver os problemas econômicos do País e de outros estados. Estamos monitorando o gado de São Sebastião da Amoreira, que não têm qualquer sintoma de doença vesicular e estão ganhando peso. Vamos acompanhar a evolução para construir uma prova definitiva para as ações que iremos mover mesmo assim contra o Ministério da Agricultura'', falou o governador, em discurso ontem na reunião semanal do secretariado.
''É uma irresponsabilidade que nos coloca o Mapa dizendo que temos uma aftosa inexistente. Podemos adotar medidas drásticas, mas apenas para escapar das sanções internacionais'', disse ele. Caso o governo não sacrifique o gado, ele terá que passar por um ano e seis meses de saneamento. Caso sacrifique, as sanções comerciais poderão durar seis meses.
O vice-governador Orlando Pessuti, secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, é mais cauteloso. Ele evita, por enquanto, falar em abates. Mas não nega a possibilidade. ''Vamos esperar os resultados das audiências públicas (ontem em Brasília e amanhã em Curitiba) antes de tomarmos qualquer decisão oficial. Ainda existe a possibilidade de que algo aconteça e que o Mapa repense sobre o foco decretado no Paraná'', disse Pessuti.
Ação - Os proprietários da Fazenda Cachoeira, localizada no município de São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), irão impetrar nova ação na Justiça Federal de Londrina. Os pedidos serão para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apresente os laudos emitidos pelo Lanagro com os resultados de sorologia realizados em 209 animais da propriedade. Além disso, eles irão requerer nova coleta de material dos bovinos e apresentação de um documento que proíbe o abate.
Na última terça-feira, a fazenda foi apontada pelo Mapa com um foco de febre aftosa em 209 animais. Deste total, 177 cabeças vieram de uma fazenda de Eldorado (MS), região onde foram registrados os primeiros focos da doença. O restante apenas teve contato com esses bovinos. Somente no sábado, foram instaladas barreiras sanitárias em todos os acessos da propriedade, o que proíbe o trânsito de animais vivos. No entanto, apesar de ser informado verbalmente, o gerente André Carioba Filho diz que ainda não foi apresentado nenhum documento que impeça o abate.
Segundo ele, caso a Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento determine o abate de todos os animais da fazenda - cerca de 2 mil cabeças - irá criar um outro problema. ''Se for só os 209, sem problemas. Mas tudo, não tenho nem lugar para enterrar'', disse. A fazenda tem quase 1,5 mil alqueires, mas apenas uma pequena parte da propriedade é destinada ao confinamento. O restante é dividido entre plantações de milho, feijão, soja e trigo.

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