O governo conseguiu unir patrões e empregados contra a proposta elaborada por sua equipe técnica para pagamento da correção de 68,9% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Tanto os sindicatos dos trabalhadores quanto a classe patronal não aceitam dividir uma conta que acreditam ser exclusivamente do governo.
‘‘O governo, mais uma vez, mostra sua voracidade e quer pagar a conta tirando do empresariado e dos empregados’’, classifica Oswaldo Pitol (foto), presidente da Milenia Agrociência. A empresa emprega 1.100 funcionários em Londrina e contribuiria, de sua parte, com R$ 100 mil/ano com o pagamento da dívida do governo. ‘‘Com mais os 0,5% que os trabalhadores deixariam de receber, só da Milenia sairiam R$ 200 mil’’, contabiliza Pitol. ‘‘Isso é uma tapeação’’, diz.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Clóvis Coelho, também recebeu a notícia com espanto. ‘‘O setor produtivo não suporta mais nenhum tipo de encargo’’.
No Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil a reação não foi diferente. ‘‘Esse é um problema do governo e não dos empregados e dos empresários. O governo quer dividir o prejuízo com a classe trabalhadora e isso não é justo’’, diz o secretário de finanças da entidade, José Aparecido Martins. Silvio Fontana, diretor do Sindicato dos Bancários, considera que quem geriu mal os recursos foi o governo. ‘‘Não aceitamos o parcelamento. Fomos tungados de uma vez só e queremos receber da mesma forma.’’
Em Curitiba, os sindicatos filiados à Força Sindical e à Central Única dos Trabalhadores (CUT) anteciparam que vão resistir à tentativa do governo de enfiar essa proposta ‘‘goela abaixo’’ das forças produtivas. O empresário Zulfiro Bózio, um dos líderes da indústria eletroeletrônica, é contra a proposta, argumentando que ela sobrecarrega a folha de pagamentos e reduz ainda mais a margem de competitividade das empresas brasileiras.
O sindicalista Nuncio Manalla, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, não acredita na viabilidade da proposta. Segundo ele, o governo lançou um balão de ensaio para negociar depois. O presidente dos Trabalhadores no Comércio de Curitiba e Região Metropolitana, Ariosvaldo Rocha, também repudiou a proposta. Para ele, é o mesmo que mandar o trabalhar pagar a sua conta na correção do FGTS. ‘‘Ao invés de cobrar a conta de trabalhadores e patrões o governo devia é cortar gastos e acabar com esses roubos absurdos que a gente lê diariamente na imprensa’’.
Para o líder da CUT em Curitiba, Roberto Van Der Osten, os trabalhadores jovens que estão entrando agora no mercado de trabalho e as empresas novas não podem arcar com uma conta que não fizeram. Osten prevê um grande embate jurídico se o governo insistir na proposta.
Para o empresário Zulfiro Bózio, a proposta onera ainda mais a folha de pagamento das empresas, que já estão sufocadas com um volume excessivo de pagamento de impostos. Cada vez que uma medida dessa é adotada, as empresas perdem em competitividade sem que o governo faça nada para apoiar o setor produtivo.
(Benê Bianchi e Vânia Casado)

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