Representantes comerciais que atendem supermercados de Londrina entraram ontem na batalha contra a derrubada da Lei da Muralha (lei municipal 9.869/2005). Eles foram ao gabinete do prefeito Barbosa Neto (PDT) junto com vice-presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras - Regional Norte), Wilson Obara.
  Nove representantes comerciais contaram ao prefeito que serão muito prejudicados caso grandes redes possam se instalar na cidade. A lei em vigor impede a construção de supemercados com mais de 1.500 metros quadrados de área de venda dentro de uma quadrilátero que atinge boa parte da cidade. Mas um projeto em tramitação na Câmara visa revogá-la.
  ‘‘As grandes redes multinacionais enfraquecem as redes regionais e não compram nossos produtos pois têm centrais em Curitiba, São Paulo ou Porto Alegre. São das redes regionais que tiramos nosso sustento’’, contou o representante comercial Clarindo Piovesan, durante a reunião com Barbosa. De acordo com ele, o segmento é formado por 500 firmas de representação que geram cerca de 6 mil empregos diretos.
  Barbosa mostrou-se sensibilizado com o pedido dos profissionais. ‘‘Eles têm suas firmas aqui, o dinheiro que faturam fica aqui, ao contrário das grande redes’’, disse.
  Questionado se não considera a Lei da Muralha inconstitucional por impedir a instalação só de grandes supermercados e de grandes lojas de material de construção, o prefeito afirmou. ‘‘Nós vamos esperar que o Plano Diretor possa ser mudado. Não fui eu que criei a lei. Também acho que não se pode fazer uma reserva de mercado para A ou B’’, ressaltou. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) deve encaminhar um projeto à Câmara definindo novos critérios para a instalação de empreendimentos na cidade.
  Também na reunião, o vice-presidente da Apras afirmou que a revogação da Lei da Muralha seria injusta para supermercados que se instalaram após sua publicação, em 2005. Dono do Musamar, ele disse que, assim como outros empresários, implantou uma loja depois disso. ‘‘Tivemos de nos adequar à lei quando montamos a loja da Rua Santos (menor que 1.500 metros quadrados de área de venda)’’, afirmou. ‘‘Nós respeitamos a lei e quem chegar agora não vai respeitar?’’, questionou. O empresário ainda disse que 1,5 mil metros quadrados é um bom limite para estabelecimentos na região central da cidade.
  Após a reunião, Barbosa Neto considerou não ser justo penalizar apenas supermercados e casas de material de construção. E citou que um shopping a ser construído na Rua Benjamin Constant (onde ficava o Hotel Berlim), no Centro, deverá ter forte impacto na vizinhança. Questionado se então pretendia negar alvará ao estabelecimento, o prefeito alegou ser necessário‘‘observar a lei’’. ‘‘Eu não posso impedir o crescimento da cidade, a geração de empregos, desde que tramitem legalmente dentro dos órgãos da Prefeitura’’.
  O pedetista ainda criticou o presidente da Apras Estadual, Pedro Joanir Zonta. Dono dos Supermercados Condor, o empresário quer a derrubada da Lei da Muralha. ‘‘Ele está usando a entidade para defender o empreendimento comercial dele’’, afirmou. A reportagem fez contato com a assessoria da Apras Estadual, mas até o fechamento desta edição não teve retorno.
  Ao avaliar a visita dos representantes comerciais e do vice da Apras Regional Norte, o prefeito afirmou: ‘‘Eles vieram dizer que estão vivos e querem que essa lei seja mantida’’. Questionado se pretende atender ao pedido, respondeu: ‘‘Não cabe ao prefeito dizer se será mantida ou não. O Ippul está fazendo estudos.

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