O número dois do escritório do representante comercial dos Estados Unidos, Richard Fisher, advertiu que o Brasil ‘‘não poderá deter a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas)’’ e corre ‘‘um sério risco de ficar isolado’’, ao analisar as negociações com o Chile sobre livre comércio, em uma entrevista publicada este domingo no jornal argentino La Nación.
Fischer garantiu ao jornal, falando de seu escritório nos Estados Unidos, que o recente anúncio das negociações sobre livre comércio entre Estados Unidos e Chile ‘‘não se trata de uma briga dos Estados Unidos contra o Brasil ou do Brasil contra o Chile, é de todos nós contra o futuro’’.
‘‘O Brasil tem que decidir se vai fazer parte do jogo grande ou se ficará na fronteira. É um grande país, muito rico, com um Governo muito bom, com um presidente que, ao contrário de seus antecessores, é um internacionalista (... ). Antes de deixar a presidência, em 2002, Cardoso poderia deixar como legado a abertura do Brasil à comunidade internacional, principalmente nas Américas’’, assinalou Fisher.
O funcionário americano considerou que ‘‘seria imprudente para o Brasil situar-se em uma posição em que ficariam sozinhos em uma esquina’’, enquanto seus sócios no Mercosul e o resto da América Latina avançam no tratado.
Ao ser consultado sobre a reação negativa do Brasil em relação ao anúncio das negociações com o Chile, Fisher disse que ‘‘isso não é a reação do Brasil, é do Itamaraty. A comunidade de negócios de São Paulo está ansiosa para que avance’’, garantiu. ‘‘Dizer que o Chile tem que escolher entre Estados Unidos e Brasil é imprudente, quase uma atitude infantil’’, enfatizou.
Fisher considerou que os brasileiros ‘‘vêem a si mesmos como os guardiães de uma posição de resistência ao poder dos Estados Unidos. Mas em questões de liberalização do comércio, não há um ponto de vista latino-americano ou americano. No fim, trabalha-se por um objetivo comum’’, insistiu.
Em relação à Argentina, Fischer admitiu que ‘‘tem uma relação única com o Brasil e os números do comércio (entre ambos) são bastante fortes’’. Não obstante, advertiu que ‘‘se a Argentina se apoiar apenas no Brasil ou o Brasil apenas na Argentina, limitam suas ambições’’.
‘‘O grande mercado são os Estados Unidos. É aí que está o futuro. Não está
na Europa, não está do outro lado do Pacífico. São mercados importantes, mas não tão grandes quanto o resto da América e os Estados Unidos’’, insistiu Fischer.

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