Reposição de estoques pode reduzir preços dos grãos
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Gabriela Mello e José Roberto Gomes<br>Agência Estado 
São Paulo - A perspectiva de recomposição dos estoques mundiais de grãos com colheitas volumosas nos Estados Unidos e possivelmente recordes na América do Sul sinaliza preços mais baixos na Bolsa de Chicago (CBOT) em 2014. No caso da soja, a queda deve se intensificar na segunda metade do ano com uma provável expansão das lavouras norte-americanas. Para o milho, a expectativa é de que o potencial de baixa seja limitado porque as cotações já caíram quase 50% em relação à máxima observada no segundo semestre de 2012.
"Não fosse a China, provavelmente a soja teria caído na mesma proporção do milho. A demanda chinesa deve sustentar as cotações em US$ 12 por bushel", afirma Anderson Galvão, sócio-diretor da Céleres, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O mesmo espera o presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa, José Aroldo Gallassini: "Devemos ter mais uma safra normal, só que os chineses estão comprando bastante, então talvez os preços se estabilizem em torno de US$ 12 por bushel para embarque em março ou abril."
Maior cooperativa da América Latina, a Coamo espera receber 70 mil sacas (4,2 milhões de toneladas) de soja dos cooperados no ciclo 2013/14, um volume 15,6% superior às 60,5 mil sacas produzidas em 2012/13. De acordo com o presidente, a média dos contratos firmados antecipadamente foi de R$ 61/saca, 4,6% menor que os R$ 64/saca obtidos na temporada anterior. "O clima está indo bem até agora, mas tudo pode mudar, por isso nossa recomendação é vender aos poucos para fazer uma boa média. Eu faço isso como produtor", diz Gallassini.
Sem uma quebra de produção na América do Sul, a Agroconsult projeta um intervalo de US$ 12 e US$ 12,50 por bushel para oleaginosa no primeiro semestre, já considerando os gargalos logísticos no escoamento da produção brasileira - estimada pela consultoria em 90,8 milhões de toneladas na temporada 2013/14, conta Fábio Meneghin, sócio-analista da empresa. Ele alerta, contudo, que a soja provavelmente cairá abaixo deste patamar na segunda metade do ano, distanciando-se ainda mais do pico de US$ 17,9475 por bushel verificado em setembro de 2012, porque sua rentabilidade três vezes maior que a do milho levará os agricultores a repensar as decisões de plantio nos EUA para 2014/15. "Trabalhamos com uma redução de 5% na área de milho que será automaticamente transferida para soja", diz.
No Brasil, o ritmo de expansão das lavouras de soja deve desacelerar no próximo ciclo, segundo Meneghin. Com base em um câmbio de cerca de R$ 2,40, a Agroconsult prevê o cultivo de 30 milhões de hectares no País em 2014/15, um aumento de 400 mil hectares (1,3%) ante os 29,6 milhões de hectares semeados em 2013/14. "A rentabilidade, que hoje gira em torno de uma média de R$ 900 a R$ 1.000 por hectare em MT, deve voltar para a média histórica de R$ 500 a R$ 600 por hectare em 2014/15", explica o analista. Mas uma desvalorização cambial mais acentuada no País pode alterar as perspectivas para plantio. "Se o dólar for a R$ 2,50 ou R$ 2,60, daí muda o cenário", acrescenta.


