Repercute mal acordo sigiloso Brasil/EUA
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segunda-feira, 02 de abril de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A informação de que Brasil e Estados Unidos estariam negociando, em sigilo, a antecipação da data inicial da co-presidência do comitê negociador para a Alca repercutiu mal entre empresários e especialistas. Um dos representantes do setor privado mais envolvidos no processo, o ex-presidente do Ceal (Conselho de Empresários da América Latina), Roberto Teixeira da Costa, acredita que o episódio esteja ajudando a tornar ainda mais nebuloso o clima para a Reunião Ministerial que vai discutir a Alca em Buenos Aires, no fim de semana.
O assunto lança mais dúvidas sobre o que, de fato, tem sido negociado na realidade, afirmou o empresário. Procurados pela Agência Estado, nem o Palácio do Planalto, nem o Itamaraty confirmaram a notícia de que o Brasil teria desistido de fechar acordo com Estados Unidos.
Na opinião do advogado Durval de Noronha Goyos, professor de Direito Internacional e árbitro da OMC, se confirmado que Brasil e Estados Unidos mantinham uma negociação sigilosa, é uma prova de desmoralização e de falta de transparência por parte do governo brasileiro, afirmou. Ele avaliou que, se por um lado o Brasil fala grosso, dizendo que não vai aceitar alteração do cronograma para a Alca, sigilosamente negocia outra coisa com os Estados Unidos. No discurso, segundo o advogado, o governo brasileiro diz que a Alca é uma opção, não um destino, e que precisam ser resolvidas as questões de acesso a mercado. Mas na prática, a realidade pode ser outra, de acordos sigilosos, que desinformam a opinião pública, destacou. Noronha afirmou que, embora aparentemente existam divergências entre o Departamento de Estado e o USTR (Representante Comercial), quem manda mesmo na política comercial norte-americana é o USTR, com quem o Brasil estaria negociando.
Teixeira da Costa destacou que o fato de a Reunião Ministerial do próximo fim de semana acontecer na Argentina já é um complicador, considerando que, no momento, não apenas o país vive uma turbulência financeira, mas as relações com o Mercosul estão um pouco conturbadas em razão da TEC o ministro Domingo Cavallo, da Economia, já deixou claro ser muito mais favorável a uma área de livre comércio à uma união aduaneira. Esse acordo frustrado soma-se a um cenário já confuso só para piorar o clima, admitiu o empresário.
Na avaliação do ex-presidente do Ceal, essa discussão sobre antecipação ou não da Alca é basicamente política. Primeiro, destacou, existe a preocupação de Washington sobre o resultado das eleições de 2002 no Brasil. Não dá para ter certeza se o novo presidente apoiará ou não a Alca.
VenezuelaO presidente Hugo Chávez viajou ontem ao Brasil para proclamar junto ao presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, sua recusa em finalizar antes de 2005 as negociações para a formação da Alca, e para buscar um mediador de peso em suas difícies relações com os Estados Unidos. Chávez assegurou no domingo à noite que a reunião com Fernando Henrique, que durará apenas algumas horas, é de suma importância, porque surgiu da peocupação dos dois presidentes ante a intenção de acelerar o fim das negociações para a Alca, previsto para 2005, a 2003. Não estamos de acordo. O Brasil e a Venezuela coincidem nisso.


