O Brasil escolheu o rigor orçamentário para superar os efeitos da crise asiática e para ‘‘merecer’’ a ajuda financeira internacional, segundo reportagem publicada ontem pelo ‘‘Le Monde’’. Segundo o jornal francês, as medidas anunciadas - uma mistura de cortes no Orçamento e reestruturação de impostos diversos - têm como objetivo oficial ‘‘reforçar a credibilidade’’ do País. ‘‘Os industriais aceitaram bem as medidas, mas os sindicatos, mesmo os que são próximos ao governo, temem uma explosão do desemprego.’’
De acordo com o ‘‘Le Monde’’, o governo FHC ainda não ganhou a disputa. ‘‘O presidente tem ainda de convencer o Congresso que a austeridade é o melhor meio de evitar a recessão no País. Os cortes no Orçamento encontrarão a resistência de diversos Estados, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, que passaram para o controle da esquerda após as últimas eleições.
As medidas econômicas anunciadas pelo governo brasileiro não estão à altura da crise financeira que o País atravessa. É o que afirma Pierre Salama, professor de economia na Universidade de Paris e especialista em desenvolvimento de países latino-americanos, em entrevista ao jornal francês ‘‘Libération’’.
‘‘As medidas consistem em aumentar as receitas fiscais, reduzindo de maneira drástica as despesas públicas. O risco é que isso pode acentuar os efeitos recessivos do País’’, diz o especialista. Segundo ele, os empréstimos concedidos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) ao Brasil poderão atenuar alguns meses os efeitos da crise’’.’’
Em reportagem que explica o pacote econômico brasileiro, o jornal francês ‘‘Le Figaro’’ afirma que as medidas foram amplamente apoiadas pelo FMI, que deverá anunciar nos próximos dias um programa de ajuda ao País de cerca de US$ 35 bilhões. Segundo o diário, os brasileiros receberam o plano com apatia e resignação. ‘‘Seus impostos não aumentaram, mas já estão se preparando para a recessão’’.

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