Repercussão na França: Brasil escolheu o rigor
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Agência Folha 
O Brasil escolheu o rigor orçamentário para superar os efeitos da crise asiática e para merecer a ajuda financeira internacional, segundo reportagem publicada ontem pelo Le Monde. Segundo o jornal francês, as medidas anunciadas - uma mistura de cortes no Orçamento e reestruturação de impostos diversos - têm como objetivo oficial reforçar a credibilidade do País. Os industriais aceitaram bem as medidas, mas os sindicatos, mesmo os que são próximos ao governo, temem uma explosão do desemprego.
De acordo com o Le Monde, o governo FHC ainda não ganhou a disputa. O presidente tem ainda de convencer o Congresso que a austeridade é o melhor meio de evitar a recessão no País. Os cortes no Orçamento encontrarão a resistência de diversos Estados, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, que passaram para o controle da esquerda após as últimas eleições.
As medidas econômicas anunciadas pelo governo brasileiro não estão à altura da crise financeira que o País atravessa. É o que afirma Pierre Salama, professor de economia na Universidade de Paris e especialista em desenvolvimento de países latino-americanos, em entrevista ao jornal francês Libération.
As medidas consistem em aumentar as receitas fiscais, reduzindo de maneira drástica as despesas públicas. O risco é que isso pode acentuar os efeitos recessivos do País, diz o especialista. Segundo ele, os empréstimos concedidos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) ao Brasil poderão atenuar alguns meses os efeitos da crise.
Em reportagem que explica o pacote econômico brasileiro, o jornal francês Le Figaro afirma que as medidas foram amplamente apoiadas pelo FMI, que deverá anunciar nos próximos dias um programa de ajuda ao País de cerca de US$ 35 bilhões. Segundo o diário, os brasileiros receberam o plano com apatia e resignação. Seus impostos não aumentaram, mas já estão se preparando para a recessão.


