A expectativa do governo é que com essa mudança tributária a arrecadação em cima do setor suba em torno de R$ 76,24 milhões. Entretanto, indústrias e pet shops que conversaram com a reportagem da FOLHA não acreditam que este é o melhor momento para isso, pensando que o poder de compra dos brasileiros caiu demais nos últimos anos.
Wilson Sossumu Kato é proprietário do pet shop Fort Dog, que trabalha com volume alto de comercialização de rações em Londrina. O empresário ressalta que os seus principais fornecedores já notificaram o aumento de preço a partir do dia 1º de maio e que ele não terá outra alternativa a não ser repassar o valor ao seus clientes. "Isso é péssimo para o meu negócio, afinal, passamos por um momento econômico muito ruim e o consumidor vai acabar sentindo", decreta.
Kato relata que em rações de menor valor agregado o impacto não será tão grande, mas naquelas de mais qualidade a variação será forte. "Como os animais de estimação não podem parar de comer, o que ocorrerá é que o cliente vai acabar comprando rações mais em conta. Além disso, deixo de vender "um mimo" para os pets, como brinquedos, já que o consumidor vem apenas atrás do básico. Com isso, o faturamento do negócio tende a retrair de 15% a 20%", projeta.
Com um investimento de R$ 25 milhões, a nova Unidade Industrial de Rações da Cooperativa Integrada deve ficar pronta em 90 dias. A ampliação fará com que a capacidade produtiva salte de duas mil toneladas para seis mil toneladas de ração por mês, com foco na piscicultura, e 25% do volume voltado na produção de alimentos para cães e gatos. O gerente da unidade industrial, Ingo Bartmeyer, salienta que os custos de produção já estão altos devido à dolarização das matérias-primas e essa nova tributação vai prejudicar ainda mais o setor. "O repasse para o consumidor terá que acontecer. O preço do milho, por exemplo, está na casa de R$ 52 a saca e já tem pressionado o segmento pet. Temos tentado segurar o repasse, mas nos últimos 12 meses o aumento já atingiu 25%", estima.
Atuando com pet foods desde 2001, a Special Dog é uma empresa de Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo, que conta com 13 produtos no portfólio e trabalha com 25 mil pontos de venda em todo o País. O diretor administrativo da marca, Erik Manfrim, comenta que o aumento do IPI deve afetar o mercado diretamente. "Com a queda nas vendas também se espera um desemprego no setor. Ainda corre-se o risco do consumidor retroagir para a alimentação de seus pets com sobras de comidas, o que gera o desequilíbrio nutricional dos animais de estimação", relata.
Antes do decreto 8656/16, Manfrim ressalta que a Special Dog esperava um crescimento de 5% na produção de ração. Agora, a empresa ainda faz cálculos das novas projeções. "A alta do dólar e das matérias primas ocasionou um aumento para a indústria e, consequentemente, também para o consumidor final." (V.L.)

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