Curitiba Novo impasse na negociação entre o Banco Central (BC) e os outros credores do antigo banco Bamerindus. De acordo com o departamento jurídico do BC, o órgão deve ser o primeiro a receber os créditos que tem com o Bamerindus. A proposta mais viável até então era de que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) assumisse a massa falida do Bamerindus e fosse o primeiro a receber os valores.
De acordo com o presidente da Associação dos Acionistas Minoritários do Bamerindus, Euclides Ribas, o BC tem um crédito de R$ 2,4 bilhões. Ele disse que o Bamerindus tem hoje aproximadamente R$ 1,2 bilhão em conta corrente, obtido pela venda de alguns bens. ''A questão agora é de ordem legal. Pela lei, o Banco Central é privilegiado, mas o órgão vai ver se é melhor receber tudo daqui algum tempo, em vez de receber só uma parte agora'', relatou Ribas. A associação estima que cerca de 40 mil acionistas minoritários perderam R$ 100 milhões com a intervenção federal em março de 1997.
O FGC, entidade mantida por todas as instituições do sistema financeiro nacional, é o maior credor do Bamerindus. O diretor executivo do FGC, Antônio Carlos Bueno, disse que o valor da dívida atual é de R$ 3,9 bilhões. ''Estamos estudando a viabilidade de uma proposta, vendo algumas alternativas e opções, principalmente para problemas jurídicos'', disse Bueno. O FGC ficaria com parte dos créditos e repassaria aos minoritários o que eles têm direito.
A intenção do BC era criar um modelo comum para os quatro grandes bancos que sofreram intervenção federal: Bamerindus, Nacional, Econômico e Pontual. Mas a reunião de ontem mostrou que ainda há muitos detalhes para serem acertados. O negócio pode ser bastante lucrativo porque a entidade que adquirir a massa falida do Bamerindus pode se valer de créditos fiscais, dedutíveis do Imposto de Renda.

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