Repasse da CPMF divide empresários
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de janeiro de 1997
Cláudia Lopes 
Dirigentes empresarias e de sindicatos de classe de Londrina estão divididos sobre o repasse ou não para os preços dos produtos do ônus causado pela cobrança da CPMF - a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Mas a maioria acredita que as empresas terão de absorver o custo do novo imposto por causa da concorrência. Os londrinenses podem ficar tranquilos porque o preço do pãozinho não deve aumentar por causa da CPMF, garante o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitarias do Norte do Paraná, Lauro Kleber.
Proprietário da Panificadora Central, Kleber diz que a grande concorrência no setor impede qualquer tipo de aumento. Segundo ele, existem cerca de 250 padarias na cidade.
A briga acirrada entre os 82 postos de combustíveis de Londrina também deve inibir possíveis altas nos preços, segundo o diretor do Sindicombustíveis, Pelagio Maluf. Apesar dos donos de postos estarem livres para corrigir os preços, isso não deve acontecer. Estamos na entressafra dos combustíveis. Com as férias, o movimento cai entre 20% e 30% em janeiro e fevereiro, diz Maluf. Segundo ele, os consumidores vão engolir mais este aumento.
O novo imposto deve piorar a situação do setor de alimentação preparada, podendo provocar aumento no número de demissões. A afirmação é do presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina, Newton Sborgi. O setor está desaquecido e o movimento cai ainda mais em janeiro e fevereiro, diz ele.
Até março, não dá para pensar em aumentar preços, diz Sborgi. Ele afirma que a maioria dos empresários está tendo que absorver inclusive a inflação para conseguir sobreviver. Tem cardápio que não sofre alteração de preço há um ano e meio. Mas não dá para mexer no preço por causa da concorrência. Hoje, existem cerca de três mil estabelecimentos que trabalham com alimentação preparada em Londrina, calcula. Sborgi diz que a CPMF será um ônus a mais para o empresariado que tem como saída tentar economizar no custo fixo. Isso significa enxugamento do quadro de funcionários.
O presidente do Comércio Varejista de Londrina, Igarassu Louzada, acredita que, se a concorrência permitir, os comerciantes vão repassar o custo da CPMF para os preços dos produtos. O imposto significa um custo maior para a operacionalidade de qualquer setor. Não é só o comerciante. O industrial, o prestador de serviço, todo mundo paga e vai repassar, se a concorrência permitir, acredita.
Louzada diz que o novo imposto é mal visto porque os brasileiros já pagam impostos demais. Apesar de ser destinado à Saúde, ele diz que há o receio de que este dinheiro seja desviado para outros setores. A incidência do imposto é grande se considerarmos a inflação. Se fizermos três ou quatro movimentações, o custo pode chegar a 1%, reclama.
O setor de confecções é outro que pensa em colocar nos seus cálculos de preço a incidência da CPMF, segundo José Antonio Cavicchioli, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário no Estado do Paraná (Sivepar). Isso vai depender do comportamento dos industriais do setor têxtil. Se eles não subirem o preço da matéria-prima, também deveremos absorver o custo da CPMF para não mexer nos preços.


