Repasse ao consumidor final ainda gera dúvida
A redução de impostos sobre produtos da cesta básica precisa chegar ao consumidor final de forma que ele entenda o quanto tem de pagar a menos. Caso contrário, há risco da reforma representar apenas recomposição de lucros para varejistas. O economista Flávio Oliveira dos Santos conta que os alimentos sofrem variação de preços por conta de efeitos climáticos ou períodos de entressafra, o que dificulta um pouco a determinação dos descontos de impostos. Porém, ele acredita que uma parcela chegue ao consumidor. ''Toda desoneração é boa e, na média, sempre se repassa algo.''
O presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Olenike, diz que a concorrência deve fazer com que ocorra repasse ao consumidor. O economista Cid Cordeiro, porém, crê que a competitividade no setor de alimentos é menor do que em outros, como no automotivo, o que dificultaria a redução no preço. Como sugestão, Santos pede que o desconto dos impostos seja incorporado às notas fiscais, para que o consumidor possa cobrar o repasse. O economista Cid Cordeiro considera ainda que o governo pode pressionar os comerciantes ao averiguar, com base nas informações da Receita Federal, se o corte de alíquotas gerou preços mais baixos aos clientes. (F.G.)





