Repar anuncia área de petroquímica
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quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Até 2010, a Refinaria Getúlio Vargas (Repar), de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, deverá ter uma planta industrial que vai garantir a atividade petroquímica no Estado. Esse avanço será possível com a entrada em operação de uma unidade industrial para produção de polímeros, a partir do gás propeno, retirado do gás de cozinha.
O anúncio dessa unidade deverá atrair indústrias de segunda e de terceira gerações na fabricação de plásticos e absorventes para o Paraná, disse o gerente geral da Repar, João Adolfo Oderich. Ele apresentou, ontem, o processo de modernização da refinaria, que será iniciado no final deste ano. Os investimentos globais, avaliados em US$ 1,39 bilhão, já foram anunciados há três meses. O processo de modernização vai envolver um conjunto de 19 novas unidades.
Segundo Oderich, os investimentos previstos equivalem à construção de uma nova refinaria, sendo o maior empreendimento nesta área no País. O processamento da Repar, que atualmente é de 200 mil barris de petróleo por dia, irá aumentar para 220 mil barris/dia. O gerente calcula que 50% do valor investido serão aplicados em obras de controle e proteção ao meio ambiente, além de melhorar a qualidade dos produtos como gasolina, diesel, gás e coque.
A partir de 2008, Oderich prevê um acréscimo de 10% ao faturamento da Repar, que hoje é de R$ 11,4 bilhões. A arrecadação de impostos também deve crescer na mesma proporção. A refinaria responde sozinha por 12% do Produto Interno Bruto do Paraná. Só em ICMS, ela recolheu R$ 1,63 bilhão no ano passado, equivalente à arrecadação de 21% de todo imposto estadual.
A Repar está sendo modernizada e adaptada para atender ao aumento de volume de processamento do petróleo nacional. As instalações existentes são da época em que a Petrobras recebia 300 mil barris por dia e parte era importado. Com a proximidade da autosuficiência em petróleo, são 1,5 milhão de barris que devem ser processados diariamente. Segundo Oderich, a Repar processa atualmente 74% de petróleo nacional.
Outro aspecto da modernização é a necessidade de preparação da refinaria ao novo perfil de demanda para derivados. A Repar vai ganhar uma unidade para processamento de coque, matéria-prima para produção de eletrodos, que podem ser utilizados até em química fina para fabricação de alimentos. Com as sobras de gasolina e óleo combustível em função da mudança da matriz energética, a Petrobras está se adaptando para produção de produtos cuja demanda não está sendo atendida ainda, como coque e gás propeno, explicou o gerente da refinaria.
As obras, que deverão permanecer nos próximos cinco anos, deverão gerar 17 mil postos de trabalho direto, que deverão passar por cursos de treinamento e qualificação. A Petrobras já firmou convênios com as prefeituras de Araucária, Curitiba e com o Serviço Nacional da Indústria (Senai), para formação de pessoal qualificado.


