Os investidores que aplicaram recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações ON da Petrobras tomaram um susto neste mês: viram o papel encerrar o pregão do dia 16 cotado a R$ 47,50, segunda cotação mais baixa do ano. No intervalo de apenas um pregão, a queda foi de 7,77%. O ganho acumulado que já chegou a 80,55%, no início de julho, é de 51,04% atualmente.

Até a última sexta-feira, porém, o preço do papel já havia se recuperado, depois de uma alta de 8,84% na semana, quando ele fechou a R$ 51,70. A gota d'água para a queda foi o preço internacional do petróleo. ''Motivada pela desaceleração da economia mundial, a cotação do barril chegou a US$ 16,50 na semana retrasada'', explica Raphael Câmara, da Máxima Asset Management. No início do mês, ele era negociado a mais de US$ 20.

A abrupta queda no preço ocorreu em razão da declaração da Rússia de não querer reduzir sua produção de petróleo, indo contra a decisão da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Com a redução da produção, a Opep espera, assim, conseguir elevar o preço do produto.

Como a Petrobras segue a cotação internacional para comercializar o petróleo que produz, os analistas viram o faturamento da empresa momentaneamente reduzir-se por dois motivos: a queda do preço do petróleo em si e o recuo do valor do dólar no Brasil.

Segundo Câmara, houve ainda um outro fator que ajudou a empurrar a cotação dos papéis da Petrobras para baixo. Ele explica que, com a Bolsa voltando a subir, os investidores começaram a vender as ações defensivas, como as da Petrobras, que no período do dólar em alta eram consideradas um investimento de menor risco.

Em contrapartida, eles passaram a comprar outros papéis que até então haviam acumulado grande queda e agora apresentam melhores perspectivas de ganhos. As projeções para as ações da Petrobras no longo prazo, porém, continuam boas. Câmara, por exemplo, diz acreditar que em 12 meses o papel possa estar cotado a cerca de R$ 75,00. ''Nos próximos dois ou três meses, a recuperação já deve chegar a 15%'', diz.

Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros, apesar de preferir não fazer previsões, diz que o risco da empresa continua baixo. ''Os seus fundamentos permanecem sólidos'', diz.

Edmo Chagas, analista do banco UBS Warburg, também não se arrisca a fazer estimativas para os próximos meses. ''Depende de como ficar o preço do barril e do impacto das eleições de 2002 no mercado.'' Mas ele diz que em 12 meses o papel pode obter uma valorização entre 30% e 40%.

Até o último dia 20, o investidor que aplicou recursos do FGTS em fundos de ações da Petrobras acumulava ganho de 51,04%. Nada mal. Mas em 17 de agosto, dia em que acabou o prazo de carência desses fundos, ele era de 69,77%.

mockup