Rentabilidade média da cultura é de 16%
O crescimento da demanda pelo álcool anidro brasileiro está refletindo diretamente no campo. No Paraná, a área plantada de cana-de-açúcar cresceu 21% nesta safra, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento. A cultura é de longo prazo e oferece uma rentabilidade média de 16% ao ano para os produtores do Norte do Paraná. No entanto, nem sempre o plantio da cana pode ser a melhor opção para os agricultores. Como base para comparações, nesta safra os sojicultores terão uma rentabilidade média de 36%.
Os cálculos são da Agra FNP, empresa privada de análises do agronegócio, e foram baseadas na última atualização da empresa feita no início deste ano. No caso da cana, ainda foram considerados uma lavoura de cinco cortes mais um, proximidade do canavial com a usina e o preço médio da tonelada da cana. O levantamento mostra que a cana irá proporcionar um lucro líquido (receita menos o custo de produção) de R$ 630 por hectare. Em cinco anos, os produtores terão um lucro líquido de R$ 3.150 por hectare.
Já a soja vai oferecer um lucro líquido de R$ 565 por hectare. Apesar da alta rentabilidade da oleaginosa neste ano, na safra anterior a cultura registrou rentabilidade negativa de 7,5%, ocasionada pelo clima seco. Para a soja o levantamento considerou uma redução de 10% do custo de produção e a valorização do preço em 20% (comparando com o mesmo período do ano passado). ''A rentabilidade da cana tem alguns entraves porque o custo de implantação da lavoura é alto, mas depois há estabilidade da receita'', afirma o consultor da FNP Fábio Renato Turquino Barros.
O custo de implantação de uma lavoura de soja é mais baixo, mas a lucratividade não é tão garantida porque a cultura é mais suscetível às ações climáticas. ''Cada produtor deve fazer a opção conforme o seu perfil. A cana é uma cultura de longo prazo, enquanto a soja tem o manejo mais complicado com períodos de prejuízos e de boas rentabilidades'', diz Barros. No entanto, a tendência continua sendo de bons preços para a oleaginosa, com a estabilidade da cotação no mercado internacional e queda no custo de produção devido à desvalorização do dólar.
Mas a rentabilidade da propriedade pode aumentar se os agricultores aproveitarem a safra de inverno para o cultivo do milho safrinha ou do trigo, culturas que também têm tendência de bons preços no mercado internacional. De acordo com o consultor, os preços da cana-de-açúcar tendem a melhorar se houver um direcionamento da política nacional do etanol. Isso deve ser feito porque 80% da produção de álcool é comercializada no mercado interno. ''Se houver regulamentação no mercado internacional certamente os preços internos serão afetados'', observa.
Já os preços da soja e do milho estão diretamente atrelados ao câmbio. ''Apesar de o açúcar também ser uma commodity não tem o mesmo desempenho da soja no mercado externo e a tendência é que os preços da cana continuem estáveis. Plantar cana é uma decisão de longo prazo, com uma rentabilidade mais estável. Sempre que ponderamos estes aspectos, vale lembrar que em muitos casos o risco é inversamente proporcional à rentabilidade'', comenta Barros. (F.M.)





