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Precisar investir ou emprestar dinheiro de uma instituição que, além de operar com taxas mais competitivas (média de 20% a 30% menores nos juros cobrados do credor), o insere no próprio negócio, permitindo que você participe das decisões e das sobras, que são o excedente dos resultados financeiros. Essa situação existe e está disponível para qualquer pessoa ou empresa disposta a integrar as chamadas cooperativas de crédito.
O princípio de cooperação entre os integrantes, como ocorre quando pessoas de um mesmo ramo de atividade se unem para viabilizar a produção de bens ou serviços, também rege uma associação que empresta e rentabiliza recursos financeiros. Por envolver capital, a regulamentação desse tipo de cooperativa se dá via Banco Central, que desde 2004 permitiu que esse tipo de associação deixasse de ficar restrita aos associados de uma determinada empresa ou tipo de atividade e passasse a funcionar em caráter de livre admissão.
"Foi uma decisão acertada do Banco Central em resposta aos pleitos das comunidades em que cada cooperativa estava instalada. Como a riqueza gerada pela cooperativa fica na própria região e a política de relacionamento sempre foi muito mais personalizada, já que o foco não é o lucro mas a necessidade do associado, mesmo quem não pertencia ao ramo profissional de uma determinada cooperativa passou a se identificar", explica o gerente de Desenvolvimento de Crédito da Central Sicredi Paraná/São Paulo e Rio de Janeiro, Gilson Farias.
Pela capilaridade do negócio - para se ter uma ideia no Paraná existem 80 municípios que só contam com essa modalidade de instituição financeira -, o Banco Central liberou a admissão de qualquer pessoa, a exemplo do que ocorre em um banco comum. Os documentos exigidos para se tornar um associado são os mesmos de um banco: RG, CPF e comprovantes de renda e residência. Além disso, para começar a fazer uso dos produtos e serviços da cooperativa de crédito é necessário adquirir uma cota social, cujo valor é bastante variável de R$ 20 a R$ 600 ou mais - dependendo da política de cada cooperativa -, e estar ciente do estatuto. "No estatuto constam todos os direitos e deveres dos associados, e como se dá a divisão das sobras", aponta Farias.
Os depósitos das cooperativas de crédito são garantidos pelo Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop) e seguem o mesmo limite, atualmente de R$ 250 mil, garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em relação aos depósitos bancários. As cooperativas de crédito, atualmente, respondem por 3,26% do total de ativos do Sistema Financeiro Nacional e ocupam a 6ª posição do ranking das maiores instituições financeiras do País. Se considerarmos sua rede de atendimento, possuem a segunda maior rede do país, de acordo com dados do Banco Central e, a exemplo do que ocorre no Paraná, em todo o território nacional há muitos municípios em que elas são a única instituição financeira disponível.

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| Foto: Marcos Zanutto
O médico Alvaro Jabur, da Uniprime: "No cooperativismo de crédito é possível ter toda a comodidade e segurança de um banco, porém o patrimônio do associado aumenta com o desenvolvimento da instituição"



Origem na saúde
A necessidade de um grupo de médicos da região Norte, sobretudo de Londrina, Maringá e Apucarana, de buscar caminhos para financiar seus projetos a juros mais baixos e rentabilizar melhor seus ganhos serviu de embrião para o surgimento da Uniprime – Cooperativa de Crédito, que completará 20 anos em 2017, com aproximadamente 18 mil cooperados. "Nossos recursos vinham do cooperativismo e produção, mas a percepção de que nas instituições tradicionais a remuneração para as aplicações eram ruins na comparação com as elevadas taxas de juros cobradas em empréstimos foi um elemento a mais na criação de uma associação com o foco inicial em financiar nosso projetos em saúde", explica o fundador e presidente da Uniprime, o médico Alvaro Jabur. Segundo ele, a grande maioria dos hospitais da região Norte contam com recursos para capital de giro e aquisição de equipamentos de imagem provenientes da cooperativa.
Com a autorização do Banco Central, a Uniprime passou a receber, além de médicos, profissionais da saúde e empresas. E agora avança para incluir pessoas dos mais diferentes ramos. Segundo Jabur, mesmo sendo conservadores tanto na liberação de crédito, quanto nos investimentos, em que a maior parte da liquidez está atrelada a títulos públicos, a Uniprime consegue oferecer condições bastante atraentes aos associados. "Devolvemos de sobras R$ 61 milhões em 2015 e devemos chegar a R$ 90 milhões neste ano, ou seja, pagaremos em média R$ 5 mil de sobras para cada associado, claro que cada um recebe proporcional à sua movimentação", afirma Jabur.
Outro diferencial é a isenção de taxas administrativas para pessoas físicas e a remuneração das cotas com 100% da Selic. "Vejo por experiência própria que no cooperativismo de crédito é possível ter toda a comodidade e segurança de um banco, só que em uma lógica na qual o patrimônio do associado também aumenta com o desenvolvimento da instituição."
No caso de prejuízos verificados no decorrer do exercício, esses devem ser rateados entre os associados na mesma proporção das sobras.

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