Cláudia Lopes
De Londrina
A renegociação das dívidas de financiamentos habitacionais pode ser desvantajosa para o mutuário. O alerta é da Associação Brasileira dos Mutuários (ABM), que considera o refinanciamento de contratos que têm cobertura no saldo devedor pelo Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS) uma ‘‘fraude’’. Na semana passada, a ABM enviou manifestos às suas 12 filiais no País, alertando para as desvantagens das renegociações.
‘‘Ao refinanciar a dívida, o contrato deixa de ter a cobertura do FCVS, ou seja, perde a garantia de que não haverá resíduo no final’’, afirma o presidente da Associação em Londrina, João Roberto Sardi. Ele afirma que a Caixa Econômica Federal só está dando descontos na liquidação e renegociação em contratos assinados antes de 1993, que não são interessantes para o agente financeiro. ‘‘Nos contratos com FCVS é mais vantajoso para o mutuário continuar pagando as prestações’’, ele recomenda.
‘‘Apesar de, em muitos casos, parecer um bom negócio, o mutuário poderia comprar o apartamento do vizinho com o valor da quitação. Nas renegociações ou transferências de nomes, o problema é maior porque muitos não estão atentos para os riscos de perder o FCVS, diz.
O gerente de mercado da CEF em Londrina, Ruy Baroni, contesta a afirmação. ‘‘Tanto que, de 1996 até agora, 300 mil pessoas negociaram com a Caixa’’, diz. ‘‘O problema é que as pessoas querem comparar a dívida que têm junto ao agente financeiro com o valor de mercado do imóvel. Todo mundo sabe que é mais vantajoso comprar uma geladeira à vista do que a prazo. A regra é a mesma para o sistema habitacional’’.
Os descontos para a liquidação de contratos assinados antes de 1993, com FCVS, são de 50% e, nas renegociações, de 30%. ‘‘Mas há casos em que os descontos chegam a 95%. Segundo ele, nos casos de refinanciamento, os contratos são feitos pelo Sistema de Amortização Crescente (Sacre). ‘‘Como as prestações vão amortizando o saldo devedor, não sobra resíduo no final do contrato’’, afirma. Neste tipo de sistema, existe a repactuação anual – o contrato é revisto no final de cada ano.Entidade que representa mutuários diz que é preciso cuidado para não perder o FCVS e ‘ganhar’ resíduo
Arquivo FolhaPERDENDO NA TROCAMutuários com contratos mais antigos, cobertos pelo Fundo de Compensação de Variação Salarial, recebem descontos maiores da Caixa. Mas devem redobrar atenção, segundo a Associação Brasileira. Novo contrato pode trocar saldo zero por nova dívida

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