Renegociação de dívidas segura inadimplência
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Folhapress 

São Paulo - Em cenário de queda da economia, do aumento do desemprego e da alta da inflação, as renegociações de dívidas têm ajudado a impedir um aumento maior da inadimplência. Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado ontem pelo Banco Central, houve um pico da chamada reestruturação de dívida em junho deste ano, o que contribuiu para reduzir a inadimplência no encerramento do semestre. As informações são da Agência Brasil.
Segundo o BC, se não fossem as operações de reestruturação de dívidas a inadimplência teria um aumento de 0,9 ponto percentual, encerrando o semestre em 4,4%. O BC explica que as reestruturações de dívidas são um subconjunto das renegociações, em que o tomador enfrenta dificuldades financeiras para honrar seus compromissos, e a instituição financeira faz concessões, relativamente às condições de pagamento, que não faria em condições normais de mercado, com o objetivo de reduzir perdas. As reestruturações são estimadas pelo BC, que identifica as operações vencidas e convertidas em operações a vencer, sem pagamento integral dos valores em atraso.
De acordo com o relatório, o fluxo mensal de reestruturações de dívidas vem crescendo desde o último trimestre de 2015 e estão sendo adotadas em todas as modalidades de crédito, mas com maior intensidade nas operações de financiamento imobiliário. O BC também destaca os financiamentos de veículos e cartão de crédito.
Lava Jato
A Operação Lava Jato representa um risco "conhecido" e "mensurado" para os bancos brasileiros, segundo a avaliação do Banco Central. O sistema financeiro tem capacidade de absorver os impactos da operação, de acordo com o governo. O documento, que analisa as perspectivas do Sistema Financeiro Nacional e o grau de resistência a eventuais choques, não trouxe avaliação específica sobre a Lava Jato, mas o diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, disse que a avaliação é a mesma do início de 2015, quando a instituição mencionou a operação no relatório.
"É um risco, mas um risco que o sistema tem capacidade de absorver. Parte desses riscos se materializaram, algumas empresas entraram em recuperação judicial, coisa dessa natureza. É um risco conhecido, mensurado, e que o sistema tem capacidade de absorver"


