Quando as contas apertam o bolso e já não cabem mais no orçamento, uma das saídas é fazer um financiamento para quitar as dívidas ou, pelo menos, minimizar o problema. Há casos ainda em que o devedor decide renegociar o empréstimo, na tentativa de alongar a dívida mas reduzir o valor das prestações - para ter um pouco mais de crédito nas mãos. A alternativa, entretanto, pode ser pouco interessante, conforme destaca o coordenador de ações judiciais do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Paulo Pacini.
Segundo ele, nos contratos de renegociação de dívidas podem ser encontrados diversos abusos, como taxas de juros altíssimas. ''Não é interessante fazer nenhum tipo de financiamento, mas no caso da renegociação os prejuízos podem ser ainda maiores'', afirmou Pacini.
O coordenador do Idec destacou que, geralmente, nas renegociações estão embutidos encargos sobre encargos: nova taxa de abertura de crédito, taxa de renegociação e mais juros sobre o valor já devido. ''Ás vezes, os consumidores acreditam que estão aliviando um problema mas, na verdade, estão arrumando um maior. As prestações podem até ficar menores, no entanto, os juros embutidos são bem maiores'', pontuou ele.
Em qualquer tipo de empréstimo, principalmente nas renegociações, o consumidor deve se atentar para alguns detalhes do contrato, conforme orienta o Idec. Um deles é a carga total de encargos cobrados durante todo o período do financiamento. ''Geralmente, as financiadoras falam para os clientes sobre os juros mensais - 6%, 7%, 8% ao mês - quando teriam que dizer os juros totais, como por exemplo 200%, 250% durante 24 ou 30 meses. Tenho certeza que os consumidores teriam mais cautela para contratar um empréstimo'', acrescentou Pacini.
Crédito No Banco do Brasil, as renegociações podem ser efetuadas tanto por pessoas físicas e jurídicas. Segundo o gerente executivo de empréstimo e financiamento do banco, Gueitiro Matsuo Genso, os financiamentos ou os rescalonamentos podem ser adquiridos diretos no caixa eletrônico. ''Em alguns casos a dívida pode ser dividida em 48 vezes ou até mais parcelas'', salientou o gerente.
Normalmente, conforme ele, as taxas de juros para renegociações de empréstimos das linhas CDC - Crédito Direto do Consumidor - giram em torno de 4,68% ao mês, dependendo da quantidade de parcelas. Na opinião de Genso, a renegociação é interessante, pois o consumidor poderá juntar todas as dívidas - financiamentos, cheque especial, cartão de crédito - em uma só. ''À medida que a nossa economia tem ficado mais segura, os prazos de financiamentos podem ser atendidos e as ofertas de crédito se tornam mais interessantes para o cliente'', completou.

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