Rendimento sobe pela 1ª vez no ano
O rendimento médio real dos ocupados da Grande São Paulo cresceu pela primeira vez no ano, segundo pesquisa divulgada ontem pelo convênio Seade-Dieese. O dado é referente a abril. O aquecimento da economia vinha produzindo efeitos na oferta de empregos em três meses, entre março e maio, 107 mil postos foram criados na região. Mesmo assim, o rendimento continuava em queda, entre outras coisas, por causa da natureza precária das novas ocupações.
Em abril, a curva do gráfico sobre ganhos do trabalhador finalmente se inverteu e, segundo o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, esse movimento poderá se manter em maio, por conta do impacto do aumento do salário mínimo na população de baixa renda e também da continuidade do crescimento da atividade. A recuperação está se dando de forma muito lenta, mas é a primeira inversão do ano, daí a importância, disse Mendonça.
O gerente de Análise Sócio-Econômica da Fundação Seade, Sinésio Pires Ferreira, afirmou que todos os indicadores do mercado de trabalho estão dentro do previsto, considerando-se um crescimento do Produto Interno Bruto de pouco mais de 3%. Salvo sustos no trajeto daqui em diante (instabilidades no cenário externo, por exemplo), ele acredita que tanto emprego como renda passarão a dar sinais modestos, mas constantes de recuperação.
O rendimento médio real dos ocupados no trabalho principal subiu de R$ 818,00 em março para R$ 827,00 em abril, o equivalente a 1,1%. Em relação a abril de 1999, o valor é 6,9% menor. É um quadro ruim, mas em março essa perda, em 12 meses, era ainda maior: 8,9%.
A renda se recuperou mais entre os trabalhadores assalariados do setor de serviços (2,6% de ganho em abril, em relação a março), tradicionalmente mais sensível aos movimentos de recuperação ou de queda da atividade econômica. Entre os autônomos, também mais sujeitos às oscilações do mercado, a recuperação foi de 1%.
A massa de rendimentos (que é a soma de todos os ganhos provenientes do trabalho) cresceu 2,3% em abril, em decorrência do aumento do número de pessoas empregadas e também do rendimento médio. A massa é o principal indicador de como anda o consumo no País. Também nesse caso, a tendência é de recomposição gradual, depois de dois anos de queda.





