Rendimento real recua 5,8% em 12 meses
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Os aumentos do desemprego e da inflação fizeram com que o rendimento habitual real em dezembro do ano passado caísse 5,8% em relação ao mesmo mês de 2014, conforme a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor recuou de R$ 2.373,02 para R$ 2.235,50 em um ano, no levantamento que considera as seis maiores regiões metropolitanas do País.
Somente quando se compara o último mês do ano passado com novembro é que se obtém um resultado positivo. Em relação aos R$ 2.204,52 de novembro, o valor do mês passado foi 1,4% superior, fruto de contratações temporárias para o fim do ano. Tanto que a taxa de desocupação foi de 7,5% em novembro para 6,9% em dezembro.
Quando considerado o rendimento médio durante todo o ano, o valor recuou 3,7%, de R$ 2.342,38 em 2014 para para R$ 2.265,09 em 2015, o que indica uma tendência de queda, já que a diferença é maior na comparação entre dezembro de um ano com o mesmo mês do outro. "A comparação com dezembro de 2014 mantém os mesmos movimentos vistos ao longo de 2015: queda acentuada na ocupação e, por outro lado, a desocupação crescendo num porcentual bastante elevado", afirma a técnica Adriana Beringuy, da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Parte da explicação se deve ao aumento do desemprego em 12 meses. A taxa de desocupação, que considera pessoas que procuram por vagas de trabalho, foi de 4,3% em dezembro de 2014 para 6,9% no mesmo mês do ano passado. Na média de todo o ano, o índice foi de 4,8% para 6,9%, o que também corrobora a tendência negativa para os próximos meses.
Para a técnica do IBGE, a queda mais expressiva em setores como indústria e serviços, por exemplo, tem peso maior porque estão entre os que pagam os melhores salários. "Em alguns meses de 2015 houve, inclusive, queda no rendimento nominal. Além disso, houve um indicador bastante elevado para a inflação, o que contribuiu para a queda", destaca a pesquisadora.
AVALIAÇÃO
O diretor de Pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Daniel Nojima, aponta que o aumento de 42,5% no número de pessoas que procuraram emprego e não encontraram em 2015 reflete o crescimento do desemprego e a entrada de jovens no mercado de trabalho. O número foi de 1,2 milhão de trabalhadores para 1,7 milhão em 2015, a maior alta da série. "A tendência de perda do emprego fica mais forte no fim do ano."
Com o menor número de trabalhadores, ele aponta que a média salarial tende a cair. "Muita gente perdeu a carteira assinada e teve de se virar por conta própria, o que significa perda de renda e de garantias trabalhistas", conta Nojima. Ele destaca que a quantidade de pessoas com carteira assinada, que tendem a ter salários maiores do que os informais, também é importante. "Os empregados com registro eram 40,8% na construção civil em 2014 e em 2015 caíram para 38,9%, quase 2 pontos percentuais, então se entende por que a média cai."
A professora de economia Katy Maia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que a tendência de encolhimento da renda e do mercado de trabalho é real para 2016. "Enquanto não ocorrer uma reforma fiscal efetiva nas contas públicas, com corte de gastos e estímulo aos investimentos, os empresários continuarão a diminuir as despesas com funcionários, e a média de renda, a cair."
A professora, que é especialista em mercado de trabalho, lembra que até o setor de serviços, o último a sentir a crise, está demitindo. "O primeiro é a indústria, mas um setor contamina o outro e chegou ao comércio, aos serviços", diz. Por isso, ela pede um pacto para aprovar as medidas que podem começar a mudar o cenário. "O papel da oposição no Congresso é fiscalizar, mas é preciso chegar a um consenso entre grupos políticos para não prejudicar ainda mais a geração de empregos e o País", completa Katy.



