Para o economista Luiz Eduardo Parreiras, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, vinculado ao Ministério do Planejamento), a recuperação do rendimento não é apenas responsável pela queda do número de desocupados como é também o melhor sintoma da recuperação do mercado de trabalho em junho. Segundo ele, a massa salarial (soma dos salários pagos) subiu 2,8% em junho, ante igual mês de 2003.
O rendimento médio real dos trabalhadores cresceu 1,8% em junho na comparação com maio, após dois meses consecutivos de queda ante mês anterior. Além disso, a redução de 0,5% na renda média na comparação com junho do ano passado representou a menor variação negativa nesse indicador registrada desde o início da nova série histórica do IBGE, há 16 meses. Em julho do ano passado, o rendimento chegou à redução recorde de 16,4% ante igual mês do ano anterior.
Parreiras avaliou que, em geral, os resultados do emprego divulgados pelo IBGE mostram que ''o mercado de trabalho está no rumo'' e o ano pode terminar ''com continuidade do crescimento da ocupação, queda na taxa de desemprego e melhoria do rendimento. Ou seja, um final do ano como há muito tempo não se vê.''
A melhoria dos indicadores animou também o gerente da pesquisa. Pereira admitiu que ''há um forte componente sazonal'' na taxa, que historicamente começa a declinar em junho e desacelera até dezembro. Segundo ele, ''as estatísticas mostram que o mercado de trabalho melhorou em junho, com aumento do número de ocupados com carteira assinada, desaceleração na perda do poder de compra dos trabalhadores e queda da taxa de desemprego''. (J.F./AE)

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