Arquivo FolhaFôlego curtoRedução do poder aquisitivo dos metalúrgicos, por exemplo, deu-se pela dificuldade em negociarSem a correção da inflação passada, os rendimentos médios dos trabalhadores assalariados caíram 2,8% em dezembro, segundo a pesquisa de emprego e desemprego da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Ao longo do ano passado, no entanto, a renda dos assalariados recuou 0,9%, o que, segundo técnicos das duas entidades, indica estabilidade. Mas os rendimentos reais médios dos ocupados chegou a cair 1,5%, em 1996.
Segundo o economista Sérgio Mendonça, diretor-técnico do Dieese, a queda do poder aquisitivo dos salários em dezembro reflete as dificuldades de negociação de importantes categorias com data-base em novembro, como os metalúrgicos. ‘‘Eles tiveram dificuldades até para dar início às negociações’’, lembra.
Aumentar ou não o poder aquisitivo dos salários, no entanto, lembra Mendonça, não é uma questão tão simples. A queda nos rendimentos no longo prazo também é resultado das transformações do mercado de trabalho, nos últimos anos. A terceirização, a migração de vagas para o setor de serviços, entre outras mudanças que tornaram as condições de trabalho mais precárias, também têm contribuído para frear o poder aquisitivo dos assalariados.
Até a criação de novos postos de trabalho, sem um crescimento sustentado da economia, pode levar à uma redução dos salários, alerta Mendonça. ‘‘Vai ter mais gente para dividir o mesmo bolo’’, explica. No ano passado, os rendimentos dos assalariados cairam menos do que a dos trabalhadores ocupados de forma geral porque o desemprego também cresceu mais entre os assalariados. ‘‘Para os que conseguiram se manter no emprego, os salários ficaram praticamente inalterados’’, ressalta.
Ainda mantendo uma tendência verificada desde o início do real, a parcela de trabalhadores assalariados de menor renda cresceu 5,8% e o salário chegou a R$ 220,00. O salário médio pago em dezembro era R$ 801,00. Ao longo do ano passado, quem não tinha carteira assinada ganhou mais. Os rendimentos dessa parcela de trabalhadores chegou a crescer 8,9%. Mas assim como os trabalhadores de forma geral, prevê Mendonça, os rendimentos para os sem carteira devem crescer menos ao longo de 1997.

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