Rendimento do trabalhador tem queda histórica
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quarta-feira, 20 de agosto de 2003
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O rendimento médio real do trabalhador brasileiro caiu 16,4% em julho, em relação ao mesmo mês do ano passado, e chegou ao mais baixo valor da série histórica pesquisada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Passou de R$ 996,92, em julho de 2002, para R$ 833,50, no mês passado. Já a taxa de desemprego ficou em 12,8%, praticamente estável comparada aos 13% de junho, e acima dos 11,9% de julho do ano anterior.
Apesar do ligeiro recuo de 0,2 ponto porcentual da taxa de desemprego sobre junho, a taxa ''não está variando estatisticamente'', segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, Cimar Azeredo Pereira. O técnico explica que a pesquisa tem uma margem de erro e é preciso avaliar os próximos resultados mensais para definir a tendência. Com o nível de desemprego estabilizado em nível elevado, o maior problema refletido nos dados divulgados pelo IBGE foi a queda no rendimento.
''A grande questão é a renda e não a questão de desocupados. Esta é a questão mais forte hoje'', comentou o técnico do IBGE Márcio Ferrari, referindo-se aos resultados divulgados ontem. O valor registrado em julho, R$ 166,42 abaixo do mesmo período em 2002, foi o menor desde outubro de 2001, início da série.
As quedas de rendimento, sobre julho de 2002, foram de 11,3% para os empregados com carteira, de 12,7% para os sem carteira e de 21,1% para os trabalhadores por conta própria. Como não há recomposição salarial da inflação e as relações de trabalho se tornaram mais precárias, a queda do rendimento dos trabalhadores por conta própria é maior. ''O desaquecimento econômico faz este grupo perder mais poder de barganha. São os mais penalizados'', diz Ferrari.
O total da população desocupada (sem trabalho e procurando emprego) em julho foi de 2,682 milhões de pessoas, 13,4% acima do mesmo mês em 2002, com base na amostra formada pelas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife). O acréscimo foi de 317.881 desocupados. Sobre o mês anterior, houve queda de 1,9%, que reflete a tendência sazonal de redução do desemprego no segundo semestre. O maior recuo foi em Belo Horizonte (-7,1%). Em São Paulo, contudo, houve aumento de 0,7% no pessoal desocupado.
A taxa de desemprego é resultado da relação do total de pessoas desocupadas sobre a população economicamente ativa (no mercado, trabalhando ou procurando emprego), chamada PEA. O IBGE não calcula a massa salarial. Informa que a metodologia da pesquisa não é adequada para isso. Mas um exercício mostra que o valor do rendimento multiplicado pelo pessoal ocupado geraria uma redução da massa salarial de R$ 2,24 bilhões em julho deste ano, comparado a julho do ano passado, mesmo apesar de o pessoal ocupado ter crescido sobre 2002 (4,3%).


