Rendimento de assalariados cai
Rendimento de assalariados cai
A atividade econômica no segundo semestre deve melhorar, mas não explodir, segundo avaliação do diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. É que, entre outras coisas, o poder de compra da população trabalhadora sairá muito arranhado dessa última crise. De novo, em abril, o rendimento médio real dos ocupados caiu, desta vez 1%. Parece pouco, mas o ritmo continuado de empobrecimento já causa preocupação aos economistas. De um em um, a coisa está se complicando, avisou o economista.
Este ano, até abril, o rendimento dos ocupados já caiu 4 9%. Em 12 meses, o encolhimento é de 6,7%. Para os não assalariados, a queda foi superior a 10% desde abril do ano passado. O caso dos autônomos, que no período áureo do Plano Real seguraram a renda média da população, hoje é de séria crise, com queda de 16% nos rendimentos. Já a massa de rendimentos (soma de todos os ganhos provenientes do trabalho) na Grande São Paulo sofreu redução de 7,2% em igual período.
Para Mendonça, com o desemprego em nível alto e uma recuperação da atividade que aponta para criação de postos de trabalho precários, em sua maioria, dificilmente a renda se recuperará este ano. A queda dos rendimentos deve apenas se desacelerar no segundo semestre, disse. Se houver crescimento, será tímido. Segundo ele, as condições de aquecimento da atividade estão já definidas e a contribuição da política econômica para isso está próxima ao esgotamento. Os juros não devem cair muito mais do que os atuais 21% ao ano (taxa básica ou Selic), definidos ontem - talvez cheguem a 19% e por aí fiquem.
Redução maior, de acordo com ele, colocaria em risco a capacidade de atração de investimentos externos, já ameaçados por um possível aumento de juros nos Estados Unidos, que representam mercado com menor grau de risco para o investidor. Além disso, o governo estará controlando eventual crescimento exagerado, que seria incompatível com a manutenção da inflação em níveis baixos.





