As cadernetas de poupança vão perder, este mês, 0,3% de rentabilidade devido à mudança no cálculo do redutor. Ontem o Banco Central divulgou o redutor da poupança que vigorará para todo o mês de fevereiro. Ele é de 1,0163 contra 1,0143, que foi o redutor que vigorou no mês de janeiro, uma diferença de 0,2%. Se o redutor de fevereiro tivesse sido calculado pela mesma regra que vigorava em janeiro ele seria de 1,0133, o que elevaria o rendimento da poupança em 0,3%.
O redutor de fevereiro é o primeiro a ser calculado com base na nova fórmula determinada pelo Conselho Monetário Nacional no mês de dezembro. Com um redutor maior, o rendimento da poupança em fevereiro, que será creditado em março, será menor. Com base no novo redutor, a TR do dia 1º de fevereiro foi fixada pelo BC em 0,4461%. Com os juros de 0,5% ao mês, a poupança com data de aniversário no dia 1º terá, em 1º de março, rendimento de 0,9483%.
Para calcular o redutor da Taxa Referencial de Juros (TR), base da remuneração da caderneta de poupança, o Banco Central utiliza, conforme determina a resolução 2459 do CMN, as Taxas Básicas Financeiras (TBFs) dos cinco últimos dias úteis do mês anterior. A TBF nada mais é do que a taxa média de captação de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) dos 30 maiores bancos do País.
A TR seria igual à TBF se não houvesse o redutor, explica um técnico do Banco Central. Para aumentar o redutor e, assim, calibrar o rendimento da poupança, o CMN mudou, em dezembro, a fórmula de cálculo. A base do cálculo, que são as TBFs dos últimos cinco dias úteis de cada mês, permaneceu a mesma, mas a fórmula sofreu alteração, bem como os fatores A e B, números fixos, que também sofreram um pequeno aumento.
Com um redutor maior, a expectativa do Banco Central é que a captação líquida das cadernetas de poupança venha a diminuir a partir de março. Isso ocorrerá, de acordo com os técnicos, se a taxa média de captação dos CDBs dos bancos continuar caindo e o redutor permanecer elevado. A queda da captação da caderneta de poupança depende também do rendimento dos demais ativos financeiros, especialmente o CDB e os fundos de aplicação financeira (FIFs), que concorrem diretamente com a poupança.
Em janeiro, por exemplo, embora a captação líquida (depósitos menos saques) da caderneta de poupança seja positiva em R$ 614 milhões até o dia 28, ela foi bem menor do que a captação acumulada no mês de dezembro, que foi de R$ 2,49 bilhões. Parte dessa captação de dezembro se deve ao 13º salário. Em novembro do ano passado, mês que sofreu o impacto da elevação das taxas de juros, a captação líquida da poupança foi recorde, atingindo R$ 4,29 bilhões.
Em janeiro, quem mais captou foi o CDB pré-fixado, que acumula, até o dia 28, uma captação líquida positiva superior a R$ 6 bilhões. Além da poupança, que tem de captação cerca de 10% do CDB, as aplicações são positivas no FIF de curto prazo, com R$ 928 milhões e FIF de 30 dias, com mais de R$ 279 milhões. Quem mais perdeu, no mês, até o dia 28, foram os FIFs de 60 dias. Nos FIFs de 60 dias os saques já superavam os depósitos, até o dia 28, em R$ 2,5 bilhões.

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