É possível que em sua reunião da próxima quinta-feira o Conselho Monetário Nacional (CMN) analise propostas de mudanças no cálculo do rendimento da caderneta de poupança. É que as oscilações muito fortes no rendimento da aplicação de um mês para outro vêm mexendo com o humor do poupador, porque em alguns meses a caderneta fica bastante atraente e em outros é contra-indicada.
Isso ocorre porque a remuneração da caderneta é determinada pela Taxa Referencial (TR) mais juros de 0,5% ao mês. O problema maior é com a metodologia de cálculo da TR: aplicação de um redutor sobre a média dos juros dos CDBs. Esse redutor é calculado com base nos juros de mercado dos últimos dias de um mês e utilizado para definir a TR de todos os dias do mês seguinte.
As perdas aparecem quando o redutor fica elevado, porque foi definido com os juros altos de um mês, e vai ser aplicado sobre taxas mais baixas no mês seguinte, porque os juros recuaram. Nesse caso, a TR cai bastante, prejudicando o rendimento da caderneta, o qual, mesmo com o juro de 0,5%, pode não ser suficiente para cobrir a inflação do período. O contrário também ocorre. É quando o redutor fica menor, porque foi definido com juros baixos de um mês, e vai ser aplicado sobre taxas mais elevadas no mês seguinte, para definir a TR. Isso faz com que a TR fique elevada e proporcione à caderneta um bom rendimento.
Com todas essas oscilações, muita gente pode querer aplicar o dinheiro na caderneta apenas quando a remuneração está atraente e mudar para outra aplicação no mês em que o rendimento declina. Essa estratégia, no entanto, não é conveniente nem para o banco nem para o tradicional aplicador da caderneta, que não gosta de ficar mudando de investimento, mas também não quer ter perdas.
Para corrigir a distorção, a proposta da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) ao Banco Central é para que o redutor seja móvel (calculado diariamente). Dessa forma, a rentabilidade da caderneta de poupança não oscilaria tanto.

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