Rendimento da classe A cresce quase 50% em 7 anos
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Débora Thomé<br> Agência Estado 
Rio - O seleto grupo dos ricos brasileiros ganhou 303 mil novas famílias nos últimos sete anos. O crescimento da classe C tornou-se a vedete do comércio e da propaganda - até mesmo a governamental -, mas a classe A mantém-se acima da marca de 1 milhão de famílias desde 2006 e continua crescendo. Integram o topo da pirâmide pessoas com rendimento domiciliar mensal acima de 20 salários mínimos (R$ 10,2 mil). É um grupo de perfil diversificado: reúne desde profissionais liberais até consumidores de artigos de luxo, como Porsches e helicópteros.
Dados compilados pela MB Associados, com base nas estatísticas do IBGE, a pedido da reportagem, mostram que o rendimento médio da classe A é hoje 48% maior que em 2002, mas ela continua representando apenas 1,9% das famílias brasileiras. O resultado absoluto da ascensão das famílias à classe A parece tímido diante do volume de componentes dos outros estratos.
Como base de comparação, do fim de 2002 até 2009, 1,146 milhão de famílias passaram à classe B (renda de 10 e 20 salários mínimos) e 7,772 milhões à classe C (renda de 3 e 10 salários mínimos). O crescimento da renda não foi muito diferente entre as categorias: dobrou na classe A, cresceu 116% na classe B e 142% para a C.
Crise
O ano de crise de 2009 foi ruim para a Classe A. A estimativa da MB Associados é que cerca de 10 mil famílias tenham descido um degrau. Mas essa oscilação não foi suficiente para tirar do grupo a marca de 1 milhão de famílias (alcançada antes, pontualmente, em 1996 e 1998). A expectativa é de que, passado o pior da crise, o consumo nessa faixa de renda volte a crescer muito em 2010.
''O dinamismo da economia brasileira nos últimos anos foi importante para a recuperação da renda da classe média, mas também da classe mais alta, obviamente que em menor proporção'', diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. Na visão dele, a tendência é de que esse fluxo ascendente persista, com a classe média rumando ao topo da pirâmide. ''Mas aqui há um limite importante. Para esse pulo adicional precisamos ter um pulo educacional, também.''
Primeira linha
Já os problemas pontuais costumam ser facilmente superados, na opinião de Marcos Pazzini, diretor da Target, empresa de pesquisa de mercado. ''A Classe A foi bastante atingida pela crise, mas não deixa tanto de consumir. Essas famílias gastam com produtos de primeira linha, e não de primeira necessidade'', diz.
Enquanto as classes B e C têm aspirações de consumo muito claras, como casa própria, carro ou TV de plasma, os integrantes da Classe A já dispõem de todos os bens considerados essenciais.
Gargarejo
A renda domiciliar média desse grupo de 2% que está no topo da pirâmide é de R$ 15,8 mil, de acordo com a conta da MB Associados. Porém, como brinca Marcos Pazzini, existe a ''classe A gargarejo'', difícil de ser contabilizada, mas cujo padrão de consumo - e renda - está em nível muito superior.
Um item incluído nos objetos de consumo da ''classe A gargarejo'' é o carro esportivo. O modelo mais barato da Porsche vendido hoje no Brasil está em torno de R$ 250 mil; o mais caro chega a R$ 750 mil. O parcelamento - quando ocorre - não é feito na revenda, mas diretamente com o banco.
Em 2003, 76 Porsches foram vendidos no País. Em 2008, esse número foi dez vezes maior (753 unidades). Mas no ano passado, com os efeitos da crise, as vendas caíram 26,5%. O esperado era 50%. Para 2010, a projeção é de que se chegue a 620 automóveis.


