Rendimento com exportação de frango cresce 63,6%
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segunda-feira, 07 de julho de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O faturamento das exportações paranaenses de frango cresceu 63,6% de janeiro a maio de 2003, em comparação ao mesmo período do ano passado, passando de US$ 104,3 milhões para US$ 170,8 milhões. A tendência, verificada desde o início do ano, foi acentuada por um possível boicote dos países árabes aos produtos norte-americanos após a guerra do Iraque.
De acordo com Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), o Oriente Médio está entre os principais compradores do frango brasileiro. Apesar de concordar que os negócios foram favorecidos pela guerra, ele esclareceu que o principal incentivo ao crescimento das exportações foi a competitividade do produto paranaense. ''É economicamente viável para os dois lados'', comentou.
De olho nas exportações para os árabes, a Unifrango, pertecente a Martins, vai receber na semana que vem as orientações de um especialista em comércio com aquela região. ''Tem até tradings se especializando em vender para o mundo árabe'', disse, acrescentando que é preciso atender exigências religiosas dos compradores para fechar negócio.
No frigorífico do empresário, os abates para os países árabes são feitos na presença de uma pessoa habilitada pela comunidade islâmica, que agradece a Alá (Deus na religião islâmica) antes do processo e é responsável pela sangria dos animais. ''É tudo certificado'', esclareceu.
Contrariando a tendência de acomodação das exportações brasileiras neste segundo semestre, o setor avícola do Paraná pretende continuar crescendo para aumentar a receita em 12% durante 2003, passando de US$ 331,3 milhões para US$ 371 milhões anuais. Até o final do ano, mais três empresas devem estar habilitadas a exportar, totalizando 20 frigoríficos aptos a vender ao exterior no Estado.
Segundo Martins, as empresas paranaenses operam com 70% da capacidade instalada, com previsão de reduzir a ociosidade nos próximos meses. A partir de setembro, a Cooperativa Agroindustrial Lar, de Medianeira, passará a exportar frango pré-cozido, marcando a entrada do Paraná em um nicho de mercado em ascensão, porém praticamente inexistente no País.
O investimento de R$ 6 milhões na planta permitirá elevar os ganhos de US$ 1,8 mil para US$ 3,2 mil por tonelada de cortes nobres, como peito. Outro mercado que está crescendo é a Ásia, para onde o Paraná está comercializando cortes de alto valor agregado. Pela coxa desossada, as empresas recebem US$ 2,3 mil por tonelada, enquanto o pé de galinha sai por US$ 180.
Em maio, as exportações brasileiras somaram 129 mil toneladas, 36,7% mais que em maio de 2002. As vendas somaram US$ 114,4 milhões, valor 42,9% superior ao ano passado.
Na comparação com abril, a receita das exportações brasileiras de carne de frango caiu 5,5% e o volume diminuiu 10,5%. No Paraná, houve retração de 10,2% no faturamento e de 13,9% na quantidade. De acordo com o presidente do Sindiavipar, esse recuo foi atípico, em função da renegociação das cotas para a Rússia, mas deve ser revertido nos próximos meses.


