Apesar do fraco desempenho da economia nacional, a renda média real do brasileiro chegou a R$ 1.908 em setembro, maior valor da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que teve início em 2002. O aumento é de 1% e foi o segundo do ano. Em agosto, ela havia crescido 1,7%, atingindo R$ 1.888,50. A desaceleração da inflação nos últimos dois meses, segundo o IBGE, ajudou no resultado.
Na indústria, ocorreu o maior aumento de agosto para setembro. A renda no setor saiu de R$ 1.930,72 para R$ 1.992, crescimento de 3,2%. Os números, divulgados ontem, fazem parte da Pesquisa Mensal de Empregos (PME). De fevereiro a julho deste ano, a renda média do brasileiro vinha caindo todos os meses, saindo de R$ 1.889,41 para R$ 1.856,42 (-1,74%). Todos os valores são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
No primeiro mês da série histórica (março de 2002), a renda equivalia a R$ 1.647,37 atuais. Em 11 anos, o aumento é de 15,82%. Mas, se considerada a pior média, de dezembro de 2004 (R$ 1.414,71), a diferença é de 35%.
Economista e técnica da PME, Adriana Beringuy considera importante os dois aumentos seguidos neste ano. "Do ponto de vista estatístico, trata-se de uma variação significativa", afirma. Ela ressalta que, na comparação entre setembro deste ano e setembro de 2012, o crescimento foi de 2,2%.
Adriana explica que a PME é feita por telefone e que são os próprios pesquisados que fornecem as informações. A pesquisa leva em conta diversos perfis de pessoas ocupadas, desde o empregado com carteira assinada, os informais, até os empresários. Esses últimos informam os valores de suas retiradas mensais. "A pesquisa não tem a ver com faturamento da empresa nem com lucro", declara.
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego em 2013 até setembro é de 5,6%, pouco abaixo dos 5,7% do mesmo período do ano passado. Para o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, o mercado de trabalho no País contém dois cenários muito distintos conforme as exigências de qualificação. "O que mantém o desemprego sob controle no Brasil são as vagas de baixa escolaridade, que estão em constante expansão. Por outro lado, para quem tem 11 anos ou mais de escola está difícil arrumar emprego", afirma.
Ele ressalta que as indústrias estão encontrando dificuldade para contratar em funções de pouca escolaridade e, provavelmente por isso, houve aumento maior na renda dos empregados do setor. De acordo com o professor, mesmo que a economia brasileira continue desaquecida, não há risco de demissões em massa em curto prazo. "Não no cenário de 2014, 2015. Mas, se o desaquecimento se prolongar, uma hora vai bater no mercado de mão de obra menos qualificada", declara.

Imagem ilustrativa da imagem Renda real do brasileiro foi recorde em setembro
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