Renda per capita será 4,8% menor em 99
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
A renda per capita do Brasil vai cair 4,8% em 1999, voltando ao mesmo patamar ou ficando até mesmo um pouco abaixo da renda de 1980. Assim, depois da década perdida pela inflação, a dos anos 80, o Brasil perderá uma segunda década, pelo efeito do desemprego e pela queda de renda provocada pela volta da inflação, que ultrapassará 10% neste ano, com a desvalorização do real.
Os brasileiros mais pobres serão os maiores prejudicados pela redução de renda. À medida que o custo da cesta básica aumentar, e já subiu mais de 4% em São Paulo neste mês, os mais pobres poderão voltar ou passar a viver abaixo da linha de pobreza e há risco de que a desigualdade social cresça no País.
Projeções como estas já são realidade em países asiáticos que tiveram suas moedas desvalorizadas e, após acordos com o Fundo Monetário Internacional, adotaram planos duros de ajuste. A queda na renda per capita foi calculada pelo professor Márcio Pochmann, especialista em economia do trabalho da Unicamp que projeta uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% e uma inflação acumulada de 12% neste ano.
A partir desse cenário, o volume de ocupação deverá cair 2%, fazendo com que 1,4 milhão dos 69,7 milhão de pessoas que trabalham no País (mercados formal e informal) deixem de ter ocupação. A queda de 4,8% na renda per capita do brasileiro, explicou Pochmann, será recorde, ultrapassando a de períodos anteriores de recessão. No começo dos anos 80, a estagnação da economia fez com que a renda caísse 3,6%. Entre os anos de 1990 e 1992, a perda foi de 3,1%.
No ano passado, com um crescimento de 0,15% do PIB, o desemprego na região da Grande São Paulo saltou de 16% para 18 5%. Agora, vamos pular o patamar de 20%, disse Sérgio Mendonça, economista-chefe do Dieese-SP (Departamento Inter-Sindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos). As perspectivas para as outras capitais não são melhores. No momento, o desemprego em Porto Alegre e Brasília está em patamar semelhante ao paulista. Em Belo Horizonte, está em 15% e em Recife, o índice passou dos 20%. O pior caso é o de Salvador, com 24%.
O Dieese informa que os desempregados têm, desde 1997, menos chances de irem para o mercado informal porque a queda da renda limita a demanda. Neste ano, os Estados e os municípios deverão cortar seus funcionários. Além de agravar o desemprego, espalhará a recessão para regiões afastadas das áreas metropolitanas.


