A renda média mensal do brasileiro sofreu um incremento de 8,3% no comparativo entre 2009 e 2011, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rendimento médio do trabalhador ocupado passou de R$ 1.242 para R$ 1.345, com aumentos registrados em todas as regiões do País. No Sul, o incremento foi de 4%, com o rendimento passando de R$ 1.405 para R$ 1.461. A maior evolução foi no Nordeste (10,7%), seguido do Centro-Oeste (10,6%), Sudeste (7,9%) e Norte (7,7%).
A maior elevação nos rendimentos de trabalho no período (29,2%) foi observada para os 10% da população com menor renda. Segundo o IBGE, conforme a faixa de renda aumentava, diminuía o ritmo de crescimento do rendimento. ''Os maiores aumentos ocorreram, de maneira geral, nas faixas de rendimento mais baixas'', comentou a gerente da Pnad, Maria Lucia Vieira, durante entrevista coletiva. (Leia mais na página 7 do primeiro caderno)
Para o economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) Francisco Castro, o incremento no rendimento mensal do trabalhador de 4% na região Sul é menor do que a evolução do salário dos paranaenses neste período. ''Certamente, o estado da região Sul que mais cresce em rendimento per capita é o Paraná'', salientou.
Castro embasa sua afirmativa nos números da Pesquisa da Indústria Mensal de Emprego e Salário (Pimes), também realizada pelo IBGE, de agosto deste ano, que aponta um incremento no rendimento dos trabalhadores deste setor em 6,7% no último ano - o segundo melhor índice do País - sendo que a média nacional ficou em 2,5%. ''A indústria puxa a melhora no salário, mas os setores de comércio e serviços também estão numa crescente em nosso Estado. As pesquisas conjunturais provam o bom momento.''
Para o economista, o Paraná passa por um momento com foco em investimentos, em que muitas empresas optam pelo Estado em busca de um ambiente favorável para os negócios. ''Atraindo empresas e indústrias, mais empregos são gerados e, consequentemente, o rendimento é puxado para cima'', salienta ele.
O projetista Felipe Rocha dos Reis atua numa empresa que contrói silos em Londrina. Ele relata que seu salário deve ter crescido na casa dos 15% entre 2009 e 2011. Porém, Rocha ainda considera que a região não valoriza quem atua na área indústrial. ''Para minha função, ainda considero que a região paga pouco. Os salários não mudaram muito nos últimos três anos. Vim de São Paulo e lá ganharia mais, mas escolhi permanecer por aqui devido a maior qualidade de vida.''
Já no setor de serviços, a maquiadora Rachel Sacca Prado conquistou uma boa melhora dos seus rendimentos nos últimos dois anos. Bacharel em direito, em 2009 ela trabalhava num escritório de advocacia e ganhava em torno de R$ 700. Apaixonada por maquiagem, Rachel se capacitou para ingressar neste ramo e praticamente dobrou seus rendimentos em dois anos. ''Optei por trocar de área e estou sendo valorizada pelo meu trabalho. Em dois anos, minha vida mudou e acredito que possa incrementar meu salário a curto prazo em mais 50%'', salientou a ela, que na próxima semana começa a orçar os valores para comprar sua primeira moto.
Índice de Gini
Com uma leve queda na desigualdade do País, o coeficiente de Gini (capaz de medir tal característica) para os rendimentos do trabalho recuou de 0,518 para 0,501. Quanto mais próximo o valor tende a zero, menos concentrada é a distribuição de renda.
A região Sul, que já possuia o menor índice de Gini em 2009 (0,482), recuou ainda mais no período avaliado e atingiu 0,461. O pior valor ainda continua sendo da região Nordeste, apesar da leve melhora de 0,541 para 0,522.

Imagem ilustrativa da imagem Renda na região Sul cresce 4% em dois anos
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