Renda média do trabalhador caiu 8,7% desde 1990
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de novembro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
A renda real dos trabalhadores ocupados na região metropolitana de São Paulo caiu 8,75% de 90 até agora, segundo o Dieese. Em 90, o trabalhador recebia R$ 937 por mês, em média. Em agosto deste ano, o valor médio estava em R$ 855. De janeiro deste ano até agosto, a queda foi de 5,4%. O mau desempenho da economia brasileira ao longo da década levou ao desemprego e à queda do rendimento, afirma Solange Sanches, coordenadora de pesquisa do Dieese.
Pelo levantamento da instituição, a média do rendimento do trabalhador em agosto equivalia a 64,7% da de 85. A renda dos ocupados, portanto, teve uma perda de 35,3% no período. A expectativa é que a renda do trabalhador volte a subir neste ano, diz, porque mais categorias estão conseguindo fechar acordos com reajustes salariais que repõem a inflação.
Segundo o Dieese, no primeiro semestre deste ano, 68% das categorias tiveram sucesso nas negociações. No mesmo período do ano passado, 55%. Houve uma melhora nos salários neste ano, mas vale lembrar que boa parte deles está apenas repondo a inflação ou resgatando o poder de compra.
Outro dado que leva o Dieese a prever aumento do rendimento do trabalhador é o fato de a taxa de desemprego estar caindo. Em maio, ela estava em 18,7% da PEA (População Economicamente Ativa). Em agosto, em 17,7%. Esse ambiente mais favorável e as perspectivas de crescimento econômico tendem a tornar menos difíceis as negociações para os reajustes salariais. O setor de serviços, segundo o Dieese, absorve a maior parte do total de ocupados na região metropolitana de São Paulo. Mas, durante os anos 90, a participação dos trabalhadores nesse setor deu um salto: aumentou 21,6%.
Isso é consequência principalmente das demissões que ocorreram na indústria. A participação dos ocupados no setor industrial, que era de 31,2%, em 90, caiu para 19,6% no ano passado. A década foi marcada por um crescimento econômico pífio, tanto que o aumento da ocupação na década sequer deu conta do ingresso de novas pessoas no mercado de trabalho, diz Solange. Isso aconteceu, afirma, porque a abertura da economia brasileira não foi planejada. As indústrias, para se tornar mais competitivas, diz, cortaram custos primeiramente na mão-de-obra.


