O agronegócio responde por mais de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. E nos últimos anos, como tem divulgado o governo federal, bate recordes nas exportações. Este é o lado bom. Do outro lado está o produtor rural. Segundo informação divulgada pela Sociedade Rural do Paraná, nos últimos dois anos, o produtor caiu 39%. ''Em 2004 a renda média do agricultor era de R$ 1.407,00, hoje é de R$ 859,00'', diz Alexandre Lopes Kireeff, presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP).
Para Kireeff tem algo errado nesta matemática. ''A distribuição de renda durante o processo que vai do plantio à exportação está prejudicando quem está produzindo. O ônus de buscar eficiência é sempre do produtor, mas ele não está vendo retorno nisso'', comenta Kireeff.
Segundo ele, não adianta apenas alongar a dívida, como fez o governo, ou oferecer mais crédito. O problema, entende o presidente da Rural, é que o custo de produção é alto e não há garantia de preço quando o produto é colocado no mercado.
Hoje o agricultor está num dilema. ''Neste período ele já deveria ter planejado o plantio da próxima safra, mas está com medo. O produtor teme aumentar a dívida acumulada nos últimos anos. Muitos deles estão desistindo de plantar para não ficar mais endividado''. Para Kireeff, os elementos para a tomada de decisão não apontam para um horizonte mais tranquilo. ''O cambio continua muito baixo, os preços dos insumos estão em ascensão, não há garantia de preço mínimo. Hoje os custos de produção são incompatíveis com os preços dos produtos praticados no mercado'', analisa ele.
Uma das alternativas, conforme o presidente da Sociedade Rural, seria o governo reduzir a carga tributária dos insumos agrícolas. Desta forma, calcula, o custo de produção cairia, reduzindo os prejuízos do agricultor. Segundo Kireeff, há pouco tempo houve um princípio de discussão sobre o tema, mas agora, com a proximidade das eleições, não acredita que o debate prospere.
A eleição também é, na avaliação do diretor do Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Perícias de Londrina (Sescap-Ldr), Paulo Bento, um dos motivos da manutenção dos preços agrícolas tão baixos. Bento, que também é pecuarista, diz que há dez ou quinze dias, a arroba do boi estava sendo vendida a R$ 47,00. ''Em algumas casas de carne era possível comprar o quilo a R$ 2,75. A verdade é que o governo, por causa da eleição, está fazendo de tudo para manter o preço da cesta básica lá embaixo. Só que isso é irreal'', comenta Paulo Bento.
Para produzir uma carne com qualidade, diz Bento, o produtor investe em tecnologia e em melhoramento genético. Mas isso tem um custo alto e não está havendo retorno para o produtor.
O presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro, afirma que o governo precisa agir e rápido. Segundo ele, o agronegócio é o setor que mais tem produzido dinheiro para o país e não pode ser abandonado como está, com o governo tomando apenas medidas paliativas que pouco ou nada resolvem. ''O governo precisa apresentar imediatamente um plano para reduzir os prejuízos dos agricultores. Não é possível esperar mais. Quando a agricultura pára, tudo pára no país. É só olhar a região de Londrina. Todos os segmentos da cidade estão reclamando, pois sem a agricultura, pára de circular dinheiro. O comércio não vende, as prestadoras de serviços ficam paradas, os profissionais liberais perdem clientes, analisa Ribeiro.

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