No Brasil, o poder aquisitivo dos empregados com registro em carteira nos anos 90 está abaixo do da década de 80. Em 10 anos, as ocupações formais que mais cresceram no setor privado, em número de vagas, foram também as que pior remuneraram. O rendimento médio caiu 38% - de 2,8 para 1,7 salários mínimos entre 1985 e 1995. Foram analisadas 37 ocupações, e apenas três tiveram evolução positiva dos salários, segundo pesquisa do professor Márcio Pochmann, da Universidade de Campinas (Unicamp), com base em dados do Ministério do Trabalho.
Zylberstajn propõe medidas rápidas para evitar o quadro de desalento que parece estar por vir. Tirar do discurso, para começar, a mexida em alguns encargos sociais. ‘‘Folha de pagamento não tem que sustentar Sebrae, salário educação e reforma agrária’’, disse. Reduzindo o custo do emprego, os empresários talvez se sentissem motivados a promover menor grau de rotatividade (que achata salários) e até a contratar.
Mas essa medida, isolada, não seria suficiente, segundo ele. A queda de renda poderia ser compensada por medidas que reduzissem, além do custo das empresas, o custo de sobrevivência dos trabalhadores. ‘‘Pode-se aumentar o poder de compra do empregado sem mexer no salário nominal’’, lembra. Melhorias no transporte, de modo a reduzir tempo de trajeto e número de conduções, teriam esse efeito, segundo ele.
Outra opção seria o barateamento da alimentação, com crédito para produtor, investimento em produtividade no campo e até, se necessário, com redução de impostos. ‘‘Além das medidas clássicas, é preciso também criatividade e vontade’’, conclui.(L.P.)

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