A elevação da renda per capita nacional nos últimos cinco anos fez com que o consumo de alimentos de maior valor agregado aumentasse mais do que o de itens básicos. Levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aponta que produtos como arroz e feijão tiveram alta média na demanda anual semelhante ao crescimento populacional no País, que é de 0,9%. Ao mesmo tempo, derivados de leite, carnes, itens de hortifrúti, vinhos, cerveja e azeite ficam entre 2,5% e 3,7%.
No estudo, o Mapa prevê que a demanda por bens de maior valor continue a crescer na próxima década, o que exige que produtores rurais e industriais invistam em alimentos com qualidade cada vez maior. Isso porque economistas dizem que o grau de exigência do consumidor tende a aumentar de acordo com a renda, que, segundo dados do Ipeadata divulgados pelo Mapa, aumentou a uma taxa anual de 1,7% de 2008 a 2012. No Paraná, conforme contas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a variação anual do salário médio foi de 3,2%.
O coordenador de Planejamento Estratégico do Mapa, José Garcia Gasques, afirma que o arroz e o feijão têm o crescimento do consumo associado ao aumento da população. "Essa demanda tem crescido por volta de 1% ao ano, pouco abaixo do crescimento populacional do País. No entanto, outros com maior valor agregado serão ainda mais buscados no mercado devido ao maior poder aquisitivo dos brasileiros", diz, em nota.
Para o supervisor técnico do Dieese no Paraná, Sandro Silva, a recuperação no mercado de trabalho e os reajustes acima da inflação para boa parte das categorias, principalmente nos pisos salariais, também ajudou. "Foi uma valorização principalmente para as pessoas com renda menor, que só consumiam o básico."
Ex-presidente e técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, o economista Eugenio Stefanelo lembra que 50 milhões de brasileiros subiram de classe socioeconômica nos últimos dez anos, o que faz com que o consumo cresça. Por outro lado, afirma que a inflação passa a ser mais percebida. "A produção no Brasil cresceu menos do que a demanda nos últimos seis anos."

Mais leite
Entre os alimentos industrializados que tiveram grande ampliação de venda ao ano nos últimos cinco anos estão queijo, com 3,5%, azeite, com 3%, iogurte, 2,9% e carne bovina, 2,7%. Entre as bebidas, o destaque fica com a cerveja e com o vinho, com 3,8% e 3,2% ao ano, respectivamente. A assessora da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Maria Silvia Digiovani, diz que o aquecimento do mercado é sentido nos derivados do leite. "Houve aumento da produção no período (desde 2008) e mesmo assim os preços aos produtores subiram. Isso mostra o crescimento do consumo."
Ela conta que há tempos se percebe que o aumento de renda na classe média gerou maior consumo de queijos e iogurtes. "O Brasil importou muito leite neste ano, o que também corrobora a tese do consumo maior", afirma Maria Silvia.

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