Um dado que chama atenção na pesquisa que mostra as intenções de gasto dos assalariados do 13º salário é a diferença entre os entrevistados que pretendem pagar dívidas na segmentação por renda familiar. Enquanto 61,9% dos trabalhadores com renda de até R$ 2 mil mensais devem usar a primeira parcela do benefício para essa finalidade, apenas 31,8% dos assalariados com renda superior a R$ 2 mil devem usar a mesma parcela para quitar débitos.
Já para utilização da segunda parcela a diferença é ainda maior. A pesquisa mostra que 43% dos assalariados com renda inferior a R$ 2 mil pretende quitar débitos contra 18,2% das pessoas com rendimento superior a R$ 2 mil. ''Esses resultados podem levar a uma interpretação de que as pessoas com rendimento inferior não conseguem poupar porque têm que pagar dívidas'', observa Vandir Bokorni Fernandes, professor de Finanças da Unopar.
A recomendação do professor para os consumidores que irão utilizar o benefício para pagamento de débitos é negociar. ''A negociação é sempre importante. Se for uma dívida antiga a pessoa pode levar grandes vantagens'', comenta. Outro fator importante no momento do pagamento é escolher as dívidas com juros maiores. ''Acredito que essas dívidas contraídas pelos trabalhadores refletem um pouco a política dos bancos de adiantar o 13º salário'', diz. (F.M.)

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