Arquivo FolhaSem rumoRecuperação das Bolsas também vai depender da queda dos juros: em curto prazo, tendência é de indefiniçãoCom a disparada das taxas de juros, patrocinada pelo Banco Central(BC) na semana passada, as aplicações de renda fixa voltaram a ser as estrelas do mercado financeiro. A TBC (piso do juro) passou a valer 3,05% ao mês, equivalente a 43,41% ao ano. Como a inflação mensal deve oscilar entre 0,2% e 0,3% nos próximos meses, o ganho real de fundos de 30 e 60 dias, caderneta e CDBs vai ficar muito atraente.
Em novembro, a caderneta deve ser a melhor opção de investimento para o prazo de 30 dias. Para quem pode aplicar por dois meses, os fundos de 60 dias são mais indicados. O diretor de Investimentos do Banco Francês e Brasileiro (BFB), Alexandre Zakia Albert, orienta o investidor a aplicar o dinheiro novo em fundos de 60 dias DI (que seguem a variação do CDI - título trocado pelos bancos). ‘‘Nesses FIFs, o juro oferecido vai ser alto e o risco, baixo’’, diz ele. Como a situação continua instável, quem aplica nesses fundos fica protegido contra elevações das taxas. Os fundos prefixados podem ser boa opção se os juros caírem. ‘‘Mas não é hora de o pequeno investidor especular com as taxas.’’
A grande incógnita é saber por qual período o governo vai manter os juros em níveis tão elevados. ‘‘Por ora, ainda é difícil prever por quanto tempo as taxas ficarão nesse patamar’’, diz o diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain. Ele lembra que os juros não podem continuar tão elevados por muito tempo porque, além de poder levar à recessão, aumentam o custo de rolagem da dívida pública.
Com juros estratosféricos, a atratividade das Bolsas normalmente diminui. Além disso, vale notar a forte instabilidade por que passam os mercados acionários. Allain prevê que, à medida que os juros forem caindo, as perspectivas para as Bolsas de Valores tendem a melhorar.
Para o diretor de Administração de Carteiras do BankBoston, Fábio de Oliveira, a tendência de curto prazo para as Bolsas é de indefinição. ‘‘Não é possível dizer como será o comportamento dos mercados de ações em novembro’’, diz ele. ‘‘Pode ser que as cotações subam 25% ou caiam 25%’’, afirma. Allain também ressalta a instabilidade a curto prazo desses mercados, mas cita um fator que pode dar alento: ‘‘Como as cotações recuaram bastante nas últimas semanas, o preço de muitas ações ficou atraente.’’
Com a crise das Bolsas de Valores, várias instituições registraram perdas acentuadas, porque operavam ‘‘alavancadas’’ nos mercados futuros. Por isso, foram obrigadas a vender ações para fazer caixa e poder honrar compromissos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Circularam fortes boatos de que algumas instituições poderiam quebrar. Além disso, a brusca alta de juros pode contribuir para agravar a situação de bancos e corretoras em dificuldades. Desse modo, o investidor tem que se preocupar com a solidez da instituição que vai administrar seus recursos.
Mas há uma opção intermediária para quem quer o risco das Bolsas com alguma margem de segurança: são os fundos de capital garantido. Nessas aplicações, em caso de alta dos mercados de ações, o aplicador ganha um porcentual dessa valorização. Mas, se o preço das ações cair, o cliente não perde o dinheiro investido. A maior parte dos recursos fica investida em renda fixa. A parcela restante é usada em operações com derivativos, para que o fundo aumente a sua rentabilidade. O diretor do Banco Real de Investimento, Julius Buchenrode, entende que esses fundos podem ser uma boa opção no momento: ‘‘Depois de quedas tão acentuadas, os mercados tendem a recuperar-se’’.

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